quinta-feira, 8 de novembro de 2007

O perigo chinês

Enquanto que diariamente temos notícias ruins ou contraditórias vindas dos Estados Unidos, lá do outro lado do mundo, na China, a história parece ser bem diferente. Grandes bancos norte-americanos estão com sérios problemas ( e não irão parar por aí ), a economia está ameaçando fraquejar e já há quem diga que os próximos trimestres o crescimento será baixissimo, muito mais perto de 1% do que dos 3,9% do terceiro trimestre recém findo. É um cenário que preocupa pois, queiram ou não, os Estados Unidos continuam sendo a locomotiva do mundo . O dólar em queda possibilita maiores exportações , o que causa algum alívio com relação ao emprego para os americanos.

Lá na China, entretanto, a situação é bem diferente. De acordo com a revista The Economist, o anuncio , em fins de Outubro,de que o Industrial and Commerial Bank of China compraria 20%do Standard Bank , no Africa do Sul, por US$5,6 bilhões , é um bom exemplo da nova estratégia de investimento da China. Com tais aquisições os chineses estão subindo calculados degraus em sua estratégia de longo prazo. Até recentemente as aquisições fora da China geralmente envolviam a obtenção da maioria das ações das companhias de petróleo, gás e commodities em mercados em desenvolvimento. De 2004 para cá os investimentos estão aumentando progressivamente e graças ao extraordinário volume de reservas internacionais ( acima de US$ 1,4 trilhões) em alguns anos a China estará espalhada pelo mundo todo.

Cuidado, pois, com o "inimigo" chines. Nossa balança comercial com eles ja está negativa e a tendência, com o real supervalorizado que temos, é a diferença aumentar.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

CPMF ; situação complica-se

Com a decisão do PSDB em não negociar mais a prorrogação da CPMF ( querem muito mais do que o Governo está oferecendo), a situação complica-se para o presidente Lula.Temos dois perigos à vista ; o 1º é a prorrogação não ser aprovada pelas duas casas ( Câmara e Senado) até o fim do ano, o que fará que o governo perderá receitas no próximo ano. Isto porque, caso a prorrogação seja aprovada em 2008, terá que obedecer uma carência obrigatória de 90 dias para que ela possa ser cobrada novamente. Na melhor das hipoteses para o Governo, perderia 25% da receita anual de 2008.

Caso, entretanto, a prorrogação não seja aprovada ( as classes empresarias continuam batendo firme nessa tecla ) , aí o governo Lula terá que "encontrar" R$ 40 bilhões em outro lugar para cumprir seu orçamento. Como é um governo gastador , teremos problemas para cumprir com as regras da responsabilidade fiscal, um dos pilares da estabilidade economica pela qual passamos. A repercussão no exterior será grande ( problema fiscal novament à vista ? ) e o quadro de bonança a nosso favor pode modificar-se . Nunca devemos esquecer que se os investidores internacionais ficarem desconfiados ou preocupados com o que acontece aqui dentro em termos de estabilidade fiscal e econômica, na mesma velocidade que os dólares entraram êles voltam para seus países de origen. Portanto, é bom o Banco Central ir acumulando reservas enquanto a maré é favorável.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Evo Morales, please help !

Ainda está bem claro na memória de todos nós o dia em que o presidente de Bolívia, Evo Morales, estatizou a Petrobrás, definiu condições de pagamentos e novo preço para o gás. Nosso governo ficou revoltado, missões foram lá discutir o assunto mas, no fim, nada adiantou. O "ditador" boliviano fez o que queria e ponto.

Como Deus não tem ajudado o Brasil ( será que merecemos ser ajudados ? ) com as chuvas necessárias, algumas termoelétricas estão com problemas e a alternativa é supri-las com gás. Como não temos gás suficiente, cortamos alguns setores para que a energia não seja afetada. Pobre daquele taxista que comprou carro movido a gás ... teve que tirar férias em época errada.

Na falta de solução de curto prazo aqui no nosso território, lá vai o presidente Lula para a Bolivia no dia 12 de Dezembro negociar novos investimentos da Petrobras para que venhamos a ter a quantidade de gás necessária para movimentar nosso país, hoje em fase de crescimento.

O problema é que negociar com Morales não tem alguma validade juridica. Quem garante que dentro de alguns anos ele não tome a mesma medida e ficaremos novamente na mão. Temos que começar a escolher nossos parceiros e "amigos" pois não dá para confiar em Fidel Castro, Hugo Chávez, Evo Morales. O que será da Argentina nesse novo contexto ninguém sabe ainda dizer..

Portanto, nos resta agora pedir que Deus seja novamente benevolente com o Brasil e faça com que a chuva, até aqui ausente, volte a resolver nossos problemas. Como dizem que Deus é brasileiro , a esperança é a última que morre. Pois se dependermos de nossos governantes, teremos surpresas atrás de surpresas daqui para frente.

Portanto, Evo Morales, please, "help us this time, again".

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Citigroup muda comando em New York

Conforme já era previsto pelo mercado o sr. Charles Prince, presidente do Citigroup e também presidente do Conselho de Administração, não suportou as críticas pelas perdas enormes da corporação em sua carteira de crédito ligado ao mercado imobiliário (fala-sem em US$ 11 bilhões ) e renunciou, neste domingo a ambos os cargos. As ações do banco já não vinham tendo boa performance e, com os prejuizos anunciados, as quedas foram significativas.

O Conselho de Administração do banco decidiu, em reunião de emergência, anunciar o sr. Robert Rubin, que já fazia parte do Conselho da instituição, para assumir o posto. Novo presidente interino foi designado, mas o fato é que o Citigroup ja´não possúe um quadro de estrelas na sua administração como acontecia no passado.

O sr. Robert Rubin, que é ex-secretário do Tesouro norte-americano, esteve aqui no Brasil em 2000, quando o Citigroup completava 85 anos de Brasil. Tive a oportunidade de conviver com êle alguns poucos dias, pois além de reuniões internas, participou de um jantar comemorativo com clientes e viagem a Brasília para falar com o presidente Fernando H. Cardoso. É um homem extremamente capaz, responsável pelo que fala e faz e com pleno conhecimento da economia americana e mundial. Homem de forte personalidade que, esperamos, reincorporará no Citigroup a disciplina de concessão de crédito, que sempre foi a marca forte do banco e que, nos últimos tempos, sofreu abalos significativos.

É uma situação difícil que o Citigroup está passando e ainda irá passar, mas não temos dúvidas que com novo comando, saberá como superar os problemas. Segundo maior banco do mundo em ativos e primeiro em números de países onde opera, o Citigroup possue uma marca forte em qualquer parte do mundo.

Nossa expectativa - de ex- funcionário e presidente do Citibank S/A aqui no Brasil - é que o sr. Robert Rubin recoloque o Citi na posição de liderança que sempre ocupou.

CPMF , a voz do contribuinte !

Durante a aprovação da prorrogação da CPMF na Câmara dos Deputados o que se viu foi uma negociação acalorada entre Governo Federal e deputados da oposição para que o tributo fosse prorrogado por mais 4 anos. As bases são as mesmas (0,38% sobre a movimentação financeira do contribuinte) o que, fatalmente, tornará o tributo permanente pois os valores envolvidos em 2011 serão bem maiores do que os R$ 38 bilhões atuais. Foi uma festa em liberação de emendas e distribuição de cargos públicos aos senhores deputados para que o Governo obtivesse os votos necessários. Em momento algum, repito, em momento algum, o “contribuinte” foi lembrado. Ficamos, passivamente, assistindo a festa pela televisão enquanto nossos representantes satisfaziam seus interesses pessoais.

Com a ida do projeto para o Senado, as coisas ficaram mais difíceis para o Governo. Além de possuir minoria naquela casa, a oposição adotou a postura de “empurrar com a barriga” as negociações pois quanto mais perto do fim do ano chegamos, a situação fica mais crítica para o Governo. Se a CPMF for aprovada até fim de dezembro, já possue validade a partir de 2 de janeiro de 2008. Se, por caso, a aprovação ultrapassar dia 31 de dezembro de 2007, a validade do que for aprovado só acontecerá 3 meses após. Isto é, o Governo perderia um quarto dos impostos previstos para 2008. Desastre total para Lula e companhia.

Não é por outra razão que vemos diariamente o Governo trazer uma nova proposta de como atender os interesses dos senadores e governadores. Coisas absurdas são cogitadas - estabelecer limite por salário do contribuinte, por ex. - como se os bancos tivessem condições de prestar tal serviço ao Governo. O Sistema Bancário teria que fazer recadastramento de todos seus clientes para poder apurar qual o salário de cada um deles HOJE pois, por força dos aumentos espontâneos ou aqueles negociados com o Sindicado , AMANHÃ o salário já pode ser diferente.Outra colocação de algumas autoridades de Brasília, é incluir a prorrogação da CPMF no bojo da reforma tributária. Pior cenário possível não há, pois a reforma tributária - como deve ser efetuada - não aconteceu no 1º mandato do presidente Lula e não acontecerá neste segundo mandato também.

O que chama a atenção é que a “voz do contribuinte”, aquele que paga a conta, foi novamente ignorada. Os “defensores” do povo continuam ignorando os interesses daqueles que os elegeram. Daí sugerirmos que a FIESP, FIERJ OAB e outras organizações de classe se juntem à proposta do “contribuinte”, escalonando o imposto por 10 anos, com alíquota reduzida em 0,03% a cada ano, a partir de 2008. Assim, chegaríamos em 2017, quando a CPMF se tornaria definitiva, com a alíquota de 0,08%, para atender os interesses legítimos da Receita Federal de “flagrar” aqueles que burlam impostos.

Foi uma surpresa ler nos jornais de 6ª feira que os ministros Paulo Bernardo e Guido Mantega já estão efetuando alguns comentários nessa linha. O ministro Paulo Bernardo afirmou na Comissão de Constituição e Justiça que “eu defendo que a CPMF seja permanente, com redução das alíquotas”. Disse ainda que “manter o tributo é importante para o combate à sonegação” além de “gerar alguma arrecadação”. Já o ministro Mantega afirmou que “não vejo a possibilidade de extinção desse tributo em quatro anos.O que podemos é vislumbrar desoneração ao longo dos anos”.

Tais declarações soam como violino para nós que temos defendido exatamente o escalonamento por 10 anos. O governo deixaria de arrecadar anualmente R$ 3 bilhões (na moeda atual) , o que nos parece perfeitamente exeqüível para um país que tem um uma dívida interna superior a R$ 1,2 bilhões e que vê sua arrecadação elevada anualmente pelo crescimento da economia e pelo aumento da carga tributária. Neste ano de 2007, de acordo com o economista Amir Khair, a carga tributária deverá passar de 34,23% do PIB para 35,36% , sendo que a União abocanhará 87,2% desse aumento.

Parece-nos, pois, que estamos perto de um acordo, desta vez com a participação do “contribuinte”. Não veremos a CPMF ser extinta em 2008, mas teremos certeza que dentro de 10 anos ela será uma página virada na vida do povo brasileiro.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Entrevista na Radio Bandeirantes

Conforme programado, estive ontem pela manhã no estúdio da Radio Bandeirantes para participar do programa Gente, comandado do José Paulo de Andrade, Joelmir Beting e Salomão Esper. Foi um bate-papo agradável e mais agradável ainda rever os amigos da Band, onde trabalhei há 6 anos.

Consegui expor com clareza a proposta da "voz do contribuinte" com relação a prorrogação da CPMF e o resultado parece ter sido bastante positivo. Recebi e-mails de felicitações, a Rádio Bandeirantes recebeu outros mas a supresa mais alentadora lí no Estadão de hoje, dia 2/11.Vou transcrever apenas a chamada de 1ª página, que para mim é bastante positiva. Eis o texto :

"GOVERNO JÁ DEFENDE A CPMF PERMANENTE

Ficou clara a intenção do governo federal em transformar a CPMF em imposto permanente.O ministro do Planejamento , Paulo Bernardo, defendeu, ontem, no Congresso , a permanência do tributo "com redução das alíquotas". Já o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse não ser possível o tributo ser extinto em quatro anos : "Podemos vislumbrar desoneração ao longo dos anos".

Tais colocações são um indício de mudança de posição o que vai melhor esclarecido no nosso artigo deste domingo no Jornal do Brasil e 2ª feira na Gazeta Mercantil. Assim , aqueles visitantes que quiserem entender porque estamos um pouco mais otimistas, favor ler o artigo " CPMF, a voz do contribuinte" , aqui neste espaço, na 2ª feira, dia 5/11.

Bom final de semana !

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Radio Bandeirantes

No dia 1ª de novembro, próxima 5ª feira, a partir das 8,30 horas da manhã, estarei pessoalmente nos estudios da Radio Bandeirates para debater com os experientes e capacitados José Paulo de Andrade, Salomon Esper e Joelmir Beting a prorrogação da CPMF. Estarei lá revendo os amigos e defendendo a "voz do contribuinte" nas negociações que estão acontecendo em Brasília. A oportunidade que a Band está me oferecendo é única, pois o programa Gente é o mais ouvido na parte da manhã. Teremos, assim, oportunidade de colocarmos nosso plano para um número considerável de ouvintes daquela tradicional emissora.

Desde já agradeço os amigos da Band pela oportunidade e convido aos visitantes deste blog a sintonizarem os 840 dos seus rádios logo cedo. Precisamos de parcerias para que a "voz do contribuintes" ( que é a nossa voz, a voz do povo) precisa ser ouvida nessa negociação da CPMF, pois somos nós quem pagamos a conta.
Até lá !

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

O “inimigo” chinês

“A China é um bom parceiro que faz a gente ficar 24 horas com palitinho no olho para não dormir, se não o bicho pega”.

Quando li esse comentário do presidente Lula nos jornais de 6ª feira senti-me um pouco mais aliviado. Embora a percepção existente é a de que o Presidente faz discursos e viaja, este não é o caso. Parabéns ao Lula que está vendo o que acontece ao redor do mundo e de onde pode vir o perigo. A “crise imobiliária” norte-americana está nas páginas dos jornais, mas a China, até agora, era tida como a “grande companheira” do Brasil. Continua sendo importante, é óbvio , mas o “inimigo” chinês pode nos criar problemas mas cedo do que imaginamos.

Em agosto deste ano a China foi o país que mais exportou no mundo, ultrapassando Alemanha e Estados Unidos. É verdade que agosto é mês de férias no hemisfério norte, mas ninguém pode negar que o fato é significativo pois os chineses exportaram nada menos do que US$ 111,4 bilhões no mês.

A concorrência da China fez com que o Brasil vendesse US$ 1 bilhão a menos para os Estados Unidos. Enquanto em 2005 participamos com 1,5% das importações norte-americanas e a China com 14,6% , em 2006 caímos para 1,4% do que o Tio Sam importa enquanto a China cresceu para 15,6%. E as perspectivas para o futuro são sombrias, conforme previsto pelo presidente Lula.

Como conseqüência desse modelo agressivo de exportações ( preços baixos, qualidade por vezes duvidosa, câmbio fixo e desvalorizado em relação às demais moedas etc) a China está, nos últimos 12 meses, com um superávit comercial de cerca de US$ 245,0 bilhões enquanto nós aqui no Brasil estamos na casa dos US$ 43,0 bilhões. E o acumulo de reservas internacionais cresce vertiginosamente, pois hoje a China possue, nada menos, do que US$ 1,43 trilhões investido em títulos.

Diante desses fatos, o que nos causa mais preocupação é a relação comercial entre o Brasil e a China. Nossas exportações passaram de US$ 5,5 bilhões - de janeiro a agosto de 2006 - para US$ 7,2 no mesmo período em 2007. Enquanto isso a China passou de US$ 4,8 bilhões em 2006 ( mesmo período) para US$ 7,5 em 2007. Isto é , hoje importamos mais da China do que exportamos. E ainda assim graças , especialmente , a duas “commodities” que representam mais de 50% das nossas exportações. Os “minérios de ferro e seus concentrados” são nosso principal item de exportação para o grande país asiático, com US$ 2,4 bilhões, seguido da “soja triturada” com US$ 2,2 bilhões. (sempre de janeiro a agosto). Dos doze principais itens de exportações brasileiras, a China aparece entre os primeiros dez maiores compradores apenas quatro vezes, todos produtos relacionados a categoria de “commodities”.

E para colocar um pouco mais de lenha na fogueira ( ou mais palitinho no olho, como recomenda o presidente Lula), um fato novo que passa a ter dimensões que começa a preocupar, é a “exportação” de inflação por parte da China. Até cinco meses atrás a China exportava “deflação”, o que era muito bom para os países importadores. A partir de Maio deste ano, os produtos exportados começaram a ter preços elevados uma vez que a inflação chinesa anda pela casa dos 6,0% ao ano (muito alto para os padrões mundiais). Os Estados Unidos, grande comprador chinês, já está pagando 1,6% a mais nos produtos importados e ninguém sabe, ao certo, até onde vai essa ( hoje ainda pequena) espiral inflacionária.

Diante dessa realidade, a última coisa que devemos fazer é tentar competir com a China nos principais produtos que ela exporta. É perda de tempo e prejuízo, na certa. A alternativa é continuarmos a ampliar nosso mercado exportador e abrir o leque de produtos exportáveis. Ganhos de produtividade são imprescindíveis e melhoria da qualidade é sempre um “plus”.

O que falta e foge do controle dos empresários, é o governo redefinir sua política cambial ( se é que temos alguma) , para fazer com que nosso “real” seja mais competitivo para os exportadores e não apenas uma moeda (aliada a alta taxa de juro local) que gera lucros fabulosos para os especuladores.