quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Hoje teremos novidades

Depois de dois dias ausente ( a vida está difícil para todo mundo ) hoje estou de volta e mais tarde com um comentário enderreçado ao presidente Lula que creio que não devem perdê-lo. Por enquanto gostaria de desejar bom dia a todos e recomendar que leiam o comentário do Gabriel ( que vive nos Estados Unidos ) sobre meu artigo "O que esperar dos EUA em 2008". É curto mas bastante interessante. Pretendemos explorá-lo um pouco mais. Quanto à "bolha imobiliária", todos vimos pelos jornais que os mercados se acalmaram ontem pela noíticia de dinheiro árabe ( US$ 7,5 bi) no Citigroup. O assunto, entretanto, não termina por aqui . Tem muita coisa ainda a acontecer nos Estados Unidos (inclusive com os bancos) que terão ainda de amargar importantes prejuizos nos próximos trimestres. Voltaremos ao assunto com mais informações mas, por enquanto, "please, no panic".
Até mais tarde.

domingo, 25 de novembro de 2007

O que esperar dos EUA em 2008

Desde meus tempos de presidente do Citibank S/A, toda vez que ia para a Europa (mais especificamente Suíça) e conversava com nossos economistas sobre a economia norte-americana, o que ouvia era, geralmente, bem diferente daquilo que ouvia quando em New York. Havia um contraste de opiniões, às vezes, significativo que me deixavam confuso. Em qual cenário acreditar ? O cenário dos europeus ou dos próprios norte-americanos ? Problema insolúvel e parece-me mais preocupante com relação ao ano de 2008.

Não há dúvidas - de lado a lado - que o mundo crescerá menos em 2008, mais por culpa da “crise imobiliária” americana do que da “velha” e adormecida Europa. Os países do sudeste asiático, China e até os emergentes (incluindo-se América Latina) serão um espécie de “salvadores da pátria” para que o PIB mundial não sofra tanto no próximo ano.

Os norte-americanos estão preocupados com a situação do seu país. Dependendo dos analistas dos principais bancos comerciais e de investimento, o temor é maior ou um pouco menor, mas ninguém fala em recessão. Falam sim em recessão do setor imobiliário que continuará a colocar pressão no crescimento da economia. O problema se alastrará para mais alguns setores mas , aqueles mais otimistas, acreditam que “a confiança do consumidor” continua elevada , o dólar fraco favorecerá as exportações norte-americanas e a inflação está sob controle. Os prejuízos oriundos dos empréstimos “sub prime” foram apenas parcialmente reconhecidos pelas instituições financeiras (cerca de US$ 42 bilhões) o que fará com que os próximos três trimestres sejam difíceis. Há, entretanto, o próprio analista norte-americano menos otimista que informa que os prejuízos do “sub prime” são superiores a US$ 100 bilhões e terão que ser absorvidos pelo sistema financeiro. A verdade é que ninguém sabe exatamente qual o “tamanho” do problema e como as instituições financeiras reagirão para buscar novas receitas. O custo do crédito nos Estados Unidos já aumentou consideravelmente, os padrões de concessão de crédito hoje são muito mais “duros”, significando menos perdas mas ,também, menos receitas.

Ainda na ótica dos analistas norte-americanos, há os mais otimistas - Merrill Lynch, entre eles - que acreditam que o FED estará atento, as taxas de juros serão reduzidas em mais 50 ou 100 “basis points” nos próximos trimestres chegando até fim de 2009 a apenas 2,0% ao ano. A economia crescerá pouco e o risco da inflação, embora existente, não deverá criar problemas maiores. Portanto, quando o FED reduz a previsão da expansão dos EUA em 2008 de 2,75% para 2,5% parece que, mesmo para o norte-americanos, o Fed “está torcendo” para que isso aconteça.

Do lado europeu , como já dissemos, o cenário á ainda mais complicado ... e bota complicado nisso. A análise fria diz que os Estados Unidos estarão em recessão em 2008, a produção e a oferta de mão de obra serão reduzidas. Tudo por causa da “implosão” do mercado imobiliário. A revista inglesa, The Economist, é dura ao afirmar que “as boas notícias estão perto do fim. A crise do mercado imobiliário entrará numa segunda, mais perigosa fase. Os preços dos imóveis cairão mais aceleradamente, afetando a saúde financeira dos proprietários e paralelamente o comportamento do consumidor”. A revista vai além afirmando que “o resultado é provavelmente os EUA enfrentarem pela primeira vez, em quase 20 anos, a queda da sua economia ser originada pelos consumidores”.

Diante desse cenário, os EUA não crescerão mais do que 2,0% no próximo ano pois o problema de crédito (hoje restrito ao crédito imobiliário) poderá afetar a área de cartão de crédito, outros créditos para consumidores e , inclusive, o crédito por atacado. O Deutsche Bank estima que o valor total por prejuízos com os empréstimos “sub-prime” chegará à casa dos US$ 400 bilhões , dos quais US$ 130 bilhões pertencentes aos bancos. Alguns bancos possuem capital suficiente para absorver perdas adicionais - essa afirmação é minha - mas não resta dúvidas que se tais previsões forem verdadeiras, o FED terá muito trabalho em 2008 para manter o sistema financeiro norte-americano sob controle.

O que nos sobra de positivo nesse quadro negro e confuso, é que há uma espécie de consenso de que grande parte dos países emergentes sentirão o impacto da redução do crescimento econômico mundial em menor escala. Será um ano de desafio, inclusive para nós, mas tudo indica que os emergentes , desta feita, não serão a causa dos problemas mas , sim, poderão se beneficiar, de alguma maneira, dessa situação constrangedora. Mas esse é outro capítulo que fica para os próximos dias.

Portanto, o que esperar dos EUA em 2008. Difícil prever. Isto nos obriga a “apertar os cintos” pois a era de “céu de brigadeiro” chegou ao fim. E torcer para que os europeus estejam errados n as suas análises, o que será menos ruim para todos nós.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Lembrando Juca de Oliveira

Na coluna de hoje da Mônica Bergamo ( Folha) , temos uma pequena notícia que não podemos esquecer. Enquanto o brilhante autor e ator Juca de Oliveira tem que inventar situações para mostrar as mazelas dos poderosos e políticos, agora a sra. Maria Christina Mendes Caldeira, ex-esposa de Valdemar Costa Neto (que foi presidente do PL) está envolvida numa peça teatral que pretende estrear em agosto de 2008, pouco antes das eleições. O título - A Mala da Ex-Mulher -é por si só sugestivo. Se a sra. Mendes Caldeira realmente decidir "abrir a mala" teremos mais um prato cheio do que aconteceu em Brasília na época do "mensalão".Será certamente um espetáculo teatral de grande êxito de bilheteria, pois é a única chance que o povo tem para rir dos políticos. Porque , no dia a dia, só rolam lágrimas...

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

A arte de votar

Embora o Dia de Ação de Graças dos americanos tenha dado um pouco de sossego para nosso mercado ( na realidade um espelho do que acontece lá fora), as notícias por aqui na política continuaram correndo soltas. O Renan Calheiros continua licenciado e usando todas as artimanhas possíveis para não ser cassado. O PMDB agora ameaça ser independente, isto é, desligar-se do governo Lula. Dá par acreditar num PMDB independente depois do seu passado de um partido que servia ( e ainda serve) de suporte para alguém ( algum partido ) que oferece mais vantagens ? O Mares Guia aparentemente foi vitima do "mensalão mineiro".E por aí vai... a política no Brasil continua sendo um caso "sério", isto é, muitas vezes de polícia.
Portanto , vale neste final de dia mais uma das frases do ilustre brasileiro, Barão de Itararé, que dizia há,pelo menos, uns 40 an0s : "O voto deve ser rigorosamente secreto. Só assim afinal, o eleitor não terá vergonha de votar no seu candidato."
Até amanhã.

Paz por um dia

Como hoje é dia do maior feriado americano (mais celebrado do que o próprio Natal), teremos paz por um dia, pelo menos no que diz respeito às notícias originadas na terra do Tio Sam. Se o mercado ontem assustou-se com a previsão do FED, que prevê que o PIB americano crescerá apenas 2,5% em 2008 ao invés dos 2,75% previstos, ficará mais assustado ainda quando outras previsões forem sendo colocadas oficialmente, especialmente quando elas são originadas em países europeus. À propósito, no nosso artigo de fundo da próxima semana, tentaremos efetuar uma análise da economia americana para 2008, considerando-se a visão européia e a americana e eventuais impactos na América Latina. Nada científico - pois economia não é ciência exata e também não somos economistas - mas que deverá traçar cenários para discussões.
Até lá, entretanto, mais notícias e/ou comentários estarão à disposição dos visitantes que nos prestigiam.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Ainda a "crise imobiliária"

Mais um dia de mercado volátil (isto, é altos e baixos que só os "experts" sabem explicar) dado o problema da "bolha imobiliária" dos Estados Unidos.Como "ninguém é de ferro" vale mencionar uma das frases famosas do Barão de Itararé, que é a seguinte : " O banco é uma instituição que empresta dinheiro à gente se a gente apresentar provas suficientes de que não precisa de dinheiro." Desta vez, infelizmente, êle errou pois o que se viu nos Estados Unidos foi exatamente o contrário : os bancos emprestando dinheiro sem saber para quem e porque mostrando um nível de incompetência poucas vezes visto no sistema financeiro(e ignorando os ensinamentos do nosso ilustre barão).
Ah , já sei porque os "gringos" trocaram as bolas ... o competente e inteligentíssimo Barão de Itararé, que nos deixou em 1971, escrevia em português....

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Citigroup ; "no panic"

Várias pessoas entraram em contato comigo para tentar saber o que está acontecendo com o Citigroup/Citibank e o que deveriam fazer. Embora minhas palavras fossem de conforto, decidi manter contato com um "senior" do Citigroup em NY e um "vice-presidente" da Merrill Lynch, também de NY.

Após uma longa conversa, podemos resumir a situação da seguinte maneira :
-o Citigroup sofreu o impacto do sub-prime e outras tansações ligadas ao mercado imobiliário e talvez tenha que efetuar mais uma provisão de crédito de cerca de US$ 10 bilhões no 4º trimestre ;
-paralelamente o Citigroup possue várias outras atividades que estão dando lucro (cartão de crédito, negócios com pessoas juridicas, franchise internacional etc) que farão com que a provisão não pese muito no balanço do banco. O 4º trimestre possue boas chances de terminar com lucro, apesar da provisão mencionada;
-o Citigroup anunciou para o mercado que pagará os dividendos normalmente , pois a caixa do banco não foi afetada ;
-para provar que o Citrigroup continua tendo crédito no mercado, em 2 dias foram vendidas pelo banco "prefered shares" no valor de US 1 bilhão ao custo de 7,875% ao ano. O custo foi um pouco alto mas o Citigroup pode recomprar esses papéis a qualquer momento. O investidor que quizer fazê-lo terá que vender o papel a custo de mercado e, dependendo das taxas vigorantes e a situação do banco, ganhar ou perder dinheiro. Minha aposta é que o Citigroup recomprará esse papel em alguns anos, quando a tormenta passar e as taxas de juros cairem;
-durante os próximos 3 trimestres (até meados do ano que vem) a situação dos bancos americanos ( e, obviamente, do Citigroup também) continuará sendo afetada pela volatilidade do mercado. Mais algumas provisões de crédito provavelmente deverão ser efetuadas até que o mercado volte a normalidade;
- nunca devemos esquecer que o Citigroup tem um Net Worth (capital) superior a US$ 120 bilhões, portanto, com bastante fôlego para enfrentar esses desafios:
- o grande problema pendente é a falta de liderança no banco, pois o novo "presidente" ainda não foi contratado. Temos uma pessoa vinda da Europa agindo como CEO e trabalhndo junto de Robert Rubin, cuja experiência não precisamos comentar;
-finalmente, há interlocutores no mercado internacional dizendo que está chegando a hora de comprar ações de alguns bancos que foram muito afetados. Estão"baratas" e devem reagir com os ajustes dos bancos.

Portanto, o objetivo deste comentário é afirmar para os visitantes deste blog e leitores em geral que "there is no panic", isto é, não há pânico algum. Podem ficar tranquilos com relação a estabiliade do banco e continuarem operando normalmente com o Citigroup/Citibank. Crises como essa já foram enfrentadas e superadas e tão logo o problema de liderança tiver sido definido o cenário começará a mudar.

Como ex-citibankense que fui fico triste em ver a organização passando por mais essa fase difícil mas estou confiante que a marca "Citigroup/Citibank" é forte o suficiente para nos deixar dormir tranquilos pois quem não dorme é o banco ..."The Citi Never Sleeps".

Reforma tributária

Um famoso ex-ministro costumava dizer ; "não se iluda meu filho, toda vez que o governo fala em reforma tributária é para aumentar impostos e não para diminuir".

Creio que, desta feita, êle estará errado. O projeto de reforma tributária que o presidente Lula promete enviar ao Congresso até o dia 30 não deverá aumentar impostos, pois já chegamos no límite da tolerância (e do bolso). Mas como o presidente já antecipa que o projeto não será o "ideal" mas "fáctivel e possível", já podemos antecipar que será um projeto de "mentirinha". Não por culpa exclusiva do presidente Lula (a boa intenção está mostrada no envio do projeto) mas pelos fatos.

Muitos haverão de lembrar que no seu 1º mandatato, o Presidente também trabalhou na reforma tributária, que foi derrubada pelos governadores. Foram TODOS à Brasília, desceram a rampa com o Presidente para fazer pressão para o Congresso NÃO aprovar a reforma tributária. Pois, quando se efetua uma reforma tributária de fato, alguém tem que ceder para que a soma dos tributos possa ser menor. Só que a União, Estados e Munícipios não estão muito dispostos a "perder" as receitas que já possuem.

Vejam o caso da CPMF. O presidente Lula afirma que o governo não pode viver sem esse imposto e os governadores querem, caso seja prorrogado, obter uma fatia desse bolo. Portanto, estão buscando mais receitas para fazer frente às suas despesas, que é a única coisa que cresce no Brasil, com certeza.

Paralelamente, a maioria dos Estados não cumpre a Lei Fiscal e , pelo menos, 16 deles gasta mais com pessoal do que o permitido. O que fazer ?

Diante desse quadro, acreditar que teremos uma reforma tributária para aliviar o bolso do consumidor é acreditar em "Papai Noel". Este é um comentário que gostaria de podeer retratar-me mais para frente, pois a reforma "deu resultado". Mas calejado como estamos com relação a tudo o que acontece em Brasília, só nos resta aguardar e torcer para que eu venha a ter uma grande surpresa (redução real de impostos ) e que o famoso ministro esteja bem errado nas suas antigas e tradicionais afirmações.