quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

A hora e a vez dos empresários (3)

Neste último artigo da série referente a extinção da CPMF, vamos focar na atuação dos empresários e o que precisamos deles no decorrer dos próximos meses. Uma “batalha” foi ganha pela Fiesp/Ciesp mas, infelizmente, a “guerra” não terminou.

Para convencer a população e congressistas a concordarem com a não prorrogação da CPMF até 2011, foi elaborado um documento detalhando as razões pelas quais o governo não necessita dos R$ 40 bilhões envolvidos na discussão. No “sumário executivo” são alinhadas as diversas fontes de receitas adicionais para 2008, num total de R$ 55,7 bilhões, o que faz com que “a CPMF é absolutamente desnecessária para o País, bem como o orçamento, equilíbrio fiscal e investimentos da União”.

Embora nosso propósito não seja discutir o trabalho elaborado mas, sim, o que vem pela frente, não podemos deixar de mencionar que algumas das premissas utilizadas já correm risco de não ser totalmente concretizadas. O menor desembolso de juros no total de R$ 13,9 bilhões pagos pelo governo, seria uma conseqüência da “trajetória declinante dos juros”. No quadro atual, com inflação externa e interna e possibilidades de pressão adicional nos preços, fica difícil acreditar que a taxa de juro chegue aos 9,6% a.a. previsto pelo trabalho, O ganho adicional de R$ 7,5 bilhões na “revisão da taxa Selic” também corre o mesmo risco. E para finalizar, o trabalho prevê uma redução de despesas de pessoal na ordem de R$ 5,5 bilhões. Há espaço para essa redução, seguindo o raciocínio lógico do “paper” da Fiesp/Ciesp. O problema, entretanto, é outro : no DNA do governo Lula não existe traços de “redução de despesas”.

Confirmando essa afirmação, o BNDES acaba de efetuar aumento de salário de 20% para quase metade do seu pessoal, os quais foram contratados a partir de 1988 (cerca de 1000 pessoas foram beneficiadas de acordo com a Folha). Existe um racional para essa decisão (esses funcionários recebem menos do que os mais antigos) , mas seria a hora de fazê-lo ? O governo não precisa ajustar suas despesas de custeio para fazer frente a perda da CPMF ?

Continuo defendendo minha tese de que a CPMF deveria ter sido prorrogada por 10 anos, com redução anual da alíquota em 0,03%, chegando a 0,08% em 2017, quando passaria a ser definitiva para dar à Receita Federal o instrumento que precisa para não deixar escapar os sonegadores. Em conversa que mantive pessoalmente, há alguns anos, com o então secretário Everardo Maciel, ele informou-me quão importante era a CPMF para flagrar os sonegadores. Pessoas cujas declarações de Imposto de Renda mostravam rendimentos e patrimônio baixíssimos, mantinham um giro bancário algumas vezes superiores ao que declaravam. Esse é, pois, um problema que não ficou resolvido com a simples extinção da CPMF. Creio que utilizando-se a proposta acima, o Governo teria condições de cumprir seus compromissos sem maiores problemas (deixaria de receber R$ 3 bilhões a menos anualmente, em moeda atual) e os contribuintes ficariam livres do imposto gradativamente, sem sustos.

É óbvio que não pagar mais nada daqui para frente parece ótimo para o contribuinte. É colocar mais algum dinheirinho no bolso direito .... quanto vai sair do bolso esquerdo ainda não sabemos.

A primeira indagação que fica é se os empresários irão reduzir os preços com a eliminação da CPMF, pois quem paga esse tributo é o consumidor. Alguns se queixavam que, na sua cadeia produtiva, tinham que pagar 5 ou 6 CPMF’s. Isto significa dizer que os preços devem cair mais acentuadamente nesses produtos. Enfim, o dinheiro que ainda é pago através a CPMF vai voltar para o bolso do consumidor ou irá aumentar o lucro das empresas?

Outra premissa defendida por alguns é que com a extinção da CPMF, o povo terá mais dinheiro no bolso e aumentará o consumo. Como a maioria da população brasileira recebe salários baixos, a economia com a CPMF é pequena e, portanto, pouco significará na capacidade de consumir. Aqueles que pagam mais CPMF, pois possuem situação privilegiada, não irão mudar seu padrão de consumo devido a essa receita adicional. Possuem muito mais para gastar, se quiserem, independentemente da CPMF. Portanto, muito pouco mudará no padrão de consumo do brasileiro.

O que me preocupa - e aí espero que a Fiesp/Ciesp atuem com a mesma energia - é que o governo virá com impostos/contribuições adicionais para ajudar a cobrir o “rombo” da CPMF. Se tivermos a tão falada reforma tributária, podem crer que será para aumentar a carga tributária e não para diminuí-la. Mesmo porque os governadores já provaram que são contra a redução de impostos pois também afetará os seus bolsos.

Enfim, encerramos aqui essa série relativa ao assunto “CPMF” para não azedar mais o paladar do povo brasileiro e, especialmente, os contribuintes. Será um ano de muita disputa política, que não sabemos qual será o capítulo final. O presidente Lula parece não estar muito preocupado com o “rombo” (sabe que o dinheiro virá de algum lugar) , pois acaba de anunciar investimentos de US$ 1 bilhão na Bolívia. E assim vamos tocando nossas vidas, na expectativa de que as coisas, um dia, irão melhorar. Que poderemos confiar naqueles que elegemos para nos comandar.

Mas está ficando cada vez mais difícil...

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

O impacto econômico (2)

Perdida a batalha política no Senado que disse “não” para a prorrogação da CPMF, o presidente Lula tem agora que enfrentar o desafio (pequeno para muitos, pois o governo tem arrecadação em excesso) de viver sem os R$ 40 bilhões orçados para 2008.Como o governo tinha como favas contadas a prorrogação por mais 4 anos do discutido imposto, terá que refazer suas contas rapidamente pois 2008 já está aí batendo na porta.

Diante dessa desagradável surpresa, o que se esperaria de um governo atento às suas despesas, seria ver o presidente Lula reunir a cúpula da sua administração e solicitar estudos urgentes para uma profunda reforma administrativa. Por exemplo, reduzir dos mais de 35 ministérios e secretarias com “status” de ministério, para 15 ou 20 ajustando suas despesas à nova realidade. Se algo nessa linha fosse efetuado, certamente o presidente Lula perderia alguns votos em Brasília, mas ganharia a simpatia e o respeito de uma grande parte da população brasileira. Temos burocracia demais, cargos demais, gente demais, fazendo tudo aquilo que antigamente era feito com menos pessoal.

Entretanto, como Papai Noel não existe o corte de despesas de custeio, se acontecer, será pouco significativo. Está no DNA deste governo não ter muita preocupação com as despesas, pois a receita virá de uma forma ou de outra.

Portanto, o impacto econômico pela perda dos R$ 40 bilhões será muito mais sentido pela sociedade do que pelo próprio governo. Emendas de parlamentares serão cortadas, atraso na liberação de verbas para ministérios, governo e municípios certamente farão parte do cardápio inicial. Novos impostos e/ou contribuições serão criados ou alguns deles, atualmente existentes, terão sua alíquota aumentada. Os projetos de infra-estrutura em andamento sofrerão atrasos, o custo Brasil continuará a ser um grande pesadelo para quem precisa movimentar sua produção. Os empresários - que lutaram arduamente pela extinção da CPMF - serão chamados a dar sua parcela de contribuição nesse esforço de reajuste nas contas do país. Anuncia-se que o “superávit fiscal” para pagamento dos juros da divida interna será mantido, o que nos parece fundamental. Caso o governo, por dificuldades de preencher o buraco deixado pela falta dos R$ 40 bilhões, vier a reduzi-lo será um verdadeiro “tiro no pé”. Seria uma medida condenável interna e, especialmente, externamente, a qual poderia mudar o humor dos investidores com relação ao Brasil. Esse assunto é delicadíssimo, não nos é permitido “fazer política” com ele.

De outro lado, espera-se que a economia continue crescendo, gerando mais receitas para o governo e minimizando o problema. Embora as perspectivas para a economia em 2008 não nos pareça tão atraente quanto o foi em 2007, deveremos continuar crescendo a níveis satisfatórios, apesar da inflação andar nos rondando perigosamente

Como se vê, na ótica de quem esta naquela situação de “pagar para ver”, o que deslumbramos é um ano de 2008 com maiores dificuldades, com o Senado sendo responsabilizado pelo corte abrupto da CPMF (o que eu, particularmente, também condeno). Na minha ótica, uma extinção gradativa, com redução da alíquota anualmente em 0,03%, faria com que dentro de 10 anos estivéssemos com a alíquota de 0,08%, que se transformaria em definitiva, pois daria à Receita Federal o instrumento que precisa para flagrar os sonegadores. Essa seria uma solução econômica viável para contribuintes e governo, que deixaria de arrecadar R$ 3 bilhões por ano, em moeda atual. Como, entretanto, a batalha foi “política”, a ninguém interessava uma proposta de consenso, daqueles que pensam no que é melhor para o país ao invés de colocarem seus interesses particulares e partidários em primeiro lugar. É bom que os “vitoriosos senadores” não se esqueçam que o presidente Fernando H. Cardoso também prorrogou a CPMF, quando o valor era bem menor, pois, segundo ele, “não poderia viver sem aquela receita”. É a tal de “metamorfose ambulante” a qual o presidente Lula se referiu, recentemente.
Sou de opinião, portanto, que o “impacto econômico” da perda da receita da CPMF será difuso, e o governo não perderá oportunidades para apontar culpados quando o dinheiro faltar. A “saúde”, tão falada nesses dias, deverá pagar uma parte da conta, o que é lamentável. Num país pobre como o nosso, investimentos em saúde e educação são essenciais. Em Brasília, entretanto, o “jogo político” vem em primeiro lugar.


Obs. o próximo artigo desta série “CPMF” será publicado 4ª feira neste espaço.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

A derrota política (1)

Como primeiro artigo desta série sobre a rejeição da CPMF pelo Senado Federal, não poderiamos deixar de começar pelo - no nosso modo de ver - único fator positivo dessa disputa que se arrastou por meses em Brasília. A derrota política que 34 senadores impuseram ao presidente Lula, foi o fator a ser, teoricamente (mais abaixo explico porque), comemorado pela sociedade. Aquela postura autoritária e de imperador do presidente Lula foi abalada, pois parecia inimaginável que depois da fácil aprovação na Câmara o governo sofreria o revés que sofreu no Senado Federal.

Embora governadores da oposição ( José Serra, Aécio Neves, etc) tenham se posicionado a favor da prorrogação da CPMF pois vislumbravam mais dinheiro para seus estados, os 34 senadores não arredaram pé e foram até o fim.

Na realidade, um ato de heroismo desse grupo de parlamentares que "não estavam à venda por dinheiro nenhum". Queriam a derrota política do presidente Lula, que ele respeitasse e dialogasse mais com o Congresso e deixasse de ser um ser ausente das grandes discussões do país.

Na teoria, tudo perfeito. Lula sofreu sua primeira importante derrota política que custará caro para o governo e para a Nação. Ficou sem os R$ 40 bilhões que já estavam no seu orçamento de 2008 e agora terá, juntamente com sua equipe econômica, de enfrentar o desafio de efetuar um ajuste de contas não previsto. Lula, como sempre, acreditava no seu carisma e no seu suporte popular para vencer qualquer batalha na Câmara e no Senado. Não levou a sério as dificuldades enfrentadas no Senado até os últimos dias e, aí, ficou dificil, ou melhor, impossível reverter a situação.

Portanto, o que se espera é que depois dessa derrota política o presidente Lula mude seu comportamento, dialogue mais com os congressistas, arquive sua postura de imperador. Finalmente o Brasil ganhou, mostrou que temos uma democracia de fato, e as coisas deverão melhorar daqui para frente com cada qual exercendo seu papel.

Isto é o que todos esperam, essa é a teoria de que falei acima mas, eu aqui com meu botões, creio que, na prática, pouco ou nada vai mudar.

Primeiro porque o presidente Lula, vencedor que é, tem seu modo de pensar e agir e não parece que vai recuar no primeiro revés. Foi derrotado três vezes na luta para a presidência da República, mas conseguiu vencer na terceira quando muitos consideravam impossível. Dizia-se, até, que existiam apenas duas verdades em política : a primeira, que Lula seria candidato à presidente da República; a segunda, que ele perderia !

Segundo, por ser uma pessoa que se fez por si só e chegou à presidência da República por méritos próprios face ao seu carisma e sua liderança, não vejo que é agora que irá mudar. Muita coisa será dita para jogar a culpa dos problemas que teremos que enfrentar nos ombros dos 34 senadores que tiveram a coragem de enfrentá-lo.

Last but not least, Lula continua sendo idolatrado pelo povão e na última pesquisa CNI/Ibope a aprovação do seu governo subiu de 63,0% para 65,0% da população brasileira. Só 30,0% (a elite e parte da classe média) desaprovam Lula , como presidente.

Portanto, baseado nesse importante cacífe político, saberá fazer com que essa população que o aprova não seja atingida pela rejeição da CPMF e, se por acaso o fôr, a culpa será da oposição que lhe tirou o pão das maõs.

É pagar para ver. Como o período de "céu de brigadeiro" já havia acabado, as nuvens negras chegaram mais perto de nós e o Governo será colocado à prova do que é capaz de fazer em ambiente desfavorável. Mas, para mim, uma coisa parece certa, Lula continuará sendo o Lula que conhecemos, com agressivos discursos de improviso , tudo aquilo que o povão quer ver e ouvir. Desde que a "bolsa-família" e os programas sociais não sejam afetados ( e eles, dificilmente, o serão) , Lula não será igualmente afetado, para desespero daqueles que tiveram coragem de enfrentá-lo.

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Obs ; o segundo artigo da série será publicado na 2ª feira, dia 17 de dezembro.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

A CPMF e suas implicações

Prezados visitantes
A partir de amanhã estarei escrevendo um artigo diário ( por uns 3 ou 4 dias ) analisando/comentando as várias implicações da não aprovação da CPMF pelo Senado. O assunto é importante, tem várias vertentes e pretendo dar meu parecer sobre cada uma delas. Serão comentários de minha inteira responsabilidade, baseados na minha experiência de executivo de uma multinacional e que conviveu longo tempo perto dos governos( exceto do governo Lula, pois já havia me aposentado). O assunto é mais complexo do que parece à primeira vista, creio que foi um êrro econômico a simples não aprovação da prorrogação da CPMF, como também estou convicto de que a prorrogação por mais 4 anos, como queria o Governo, também seria um ato para ser criticado.
É um exercício que farei junto com aqueles que me prestigiam neste espaço e dos/das quais gostaria de obter comentários,críticas ou sugestões depois do término dos artigos ou durante o processo.
Abraços
Alcides Amaral

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

O FED na encruzilhada

O FED ( Banco Central Norte-Americano) reduziu ontem a taxa básica de juro em 0,25 pontos percentual, trazendo-a para 4,25% ao ano. O "mercado" não gostou, reagiu mal e derrubou as bolsas de valores. O "mercado" esperava por 0,50 pontos percentual, para dar mais um pequeno alívio na crise imobiliária que afeta o país.
O FED certamente gostaria de fazê-lo, ser mais agressivo e com isso diminuir a tensão existente no mundo todo pelos desdobramentos da "bolha imobiliária".
Entretanto, como responsável que é ( assim como o Copom aqui no Brasil ) pelo controle da inflação, a decisão não poderia ser outra. O aumento do custo da energia e dos commodities é uma realidade que já começa a dar sinais que preocupam e, portanto, a política monetária tem que ser administrada com extrema maestria. A revista inglesa "The Economist" tem como matéria de capa esta semana o seguinte ; "The end of cheap food". Isto é, o período de comida barata está no fim o que vai requerer muito mais atenção e cautela dos bancos centrais do mundo todo.
Portanto, como se vê, o FED está numa encruzilhada. Tem que baratear o custo do crédito e dar mais liquidez ao mercado para que a "crise imobiliária" não se alongue por mais muito tempo. Se , entretanto, assim agir, poderá estar jogando lenha na fogueira da inflação, que ainda não é um problema hoje, mas pode ser no próximo ano. A decisão do presidente Bush - de duas semanas atrás - de congelar os juros do financiamento de mais de um milhão de moradias da categoria "sub-prime", é uma alternativa para evitar a evidente encruzilhada que os condutores do FED se encontram.
Portanto, como já dissemos em comentário anterior, a fase de "céu de brigadeiro" terminou, a volatilidade continuará presente nos mercados e cada um dos investidores tem que pensar bem o que fazer com seu dinheiro para não ter surpresas desagradáveis.
O importante para todos nós é que o FED consiga encontrar seu rumo, mantendo a inflação sob contrôle e não deixando a "bolha imobiliária " levar a economia americana para a recessão. Em 2008 o mundo crescerá menos e a intensidade da queda dependerá do comportamento da economia do Tio Sam.

Citigroup anuncia novo comando

Impactado fortemente pela "bolha imobiliária" americana, o Citigroup não perdeu apenas dinheiro mas também seu , até então CEO (presidente), Charles Prince. Como aparentemente não encontrou ninguém disponível no mercado com capacidade para enfrentar os novos desafios ( reorganizar as finanças, custos, e controles do banco) nomeu dois funcionários do "alto escalão" para tais tarefas.
Vikram Pandit, de origem indiana, foi designado novo CEO e o europeu Win Bischoff passa a ocupar a posição de "Chairman" da grande organização americana. O lado positivo dessas escolhas é que, sendo já altos funcionários do Citi, conhecem bem os problemas e poderão agir mais rapidamente. O lado negativo dessas escolhas - e que está sendo criticado por analistas internacionais - é que tanto um como outro não possuem experiência no "consumer business" (negócios com pessoa física) que representa cerca de 50% dos lucros do banco.
De qualquer forma, agora o Citigroup não é mais uma organização "sem comando" e já para principios de 2008 (ou, até, antes disso) poderemos sentir as ações dessa nova equipe. Por certo o Citi fará corte profundo de despesas, com redução de pessoal, corte de bonus e, possívelmente, não pagamento de dividendos. Como o Citi já havia prometido que iria pagar dividendos este ano, caso mude de postura ( que é salutar para o caixa da organização) o mercado deverá receber essa medida de forma negativa e com desconfiança.
O certo é que o Citigroup é o 2º maior banco do mundo, já passou por problemas semelhantes e piores no passado, e sempre teve forças e suporte para dar a volta por cima. Como a "bolha imobiliária" formou-se pela irresponsabilidade dos banqueiros e pela falta de fiscalização adequada por parte do FED ( Banco Central Norte-Americano) , o problema é de todos eles. O presidente Bush deverá esquecer, por enquanto, dos problemas do Oriente Médio e concentrar seus esforços na arrumação do setor imobiliário americano bem como da economia do país.

domingo, 9 de dezembro de 2007

“Metamorfose ambulante”

Depois de afirmar, alto e bom som, que só os sonegadores e o DEM eram contra a aprovação da prorrogação da CPMF, o presidente Lula surpreendeu a todos que participavam da cerimônia de lançamento do PAC da Saúde na última semana. No seu estilo tradicional de efetuar discursos de improviso, afirmou que não tinha vergonha de dizer que quando do governo Fernando H. Cardoso ele era contrário a prorrogação do CPMF. E foi além dizendo que não se incomoda de ser chamado de “metamorfose ambulante” por ter mudado de opinião. Referiu-se a uma música de Raul Seixas, que trata do tema.

Como diria um amigo meu de infância, toda vez que tomava uma “botinada” no jogo de futebol: “essa doeu”.

Quando o próprio presidente da República assume “não ser um patriota”, pois não vota no que é melhor para o país mas sim o que é melhor para os seus companheiros e seu partido, o que podemos esperar da classe política. Vereadores, deputados e senadores que elegemos passam a ser todos, com algumas exceções, “metamorfoses ambulantes?”. Qual a agenda do dia? O que quer o nosso partido? Não importa que tal posicionamento não seja o melhor para o país? Ora, o que vale mesmo, no fim do dia, é estar surfando na crista da onda.

Pobre Brasil que , infelizmente, precisa do Congresso para fazer o país andar. Pior ainda quando o presidente, que veio do povão e é o líder inconteste desse mesmo povão, auto-intitula-se de “metamorfose ambulante” com uma honestidade de deixar-nos atônitos.Que respeito a classe média e aqueles mais favorecidos (e que entendem um pouco melhor do que acontece ao redor do poder) podem ter por seu presidente quando não sabemos com quem estamos realmente lidando?. Amanhã não poderemos ser surpreendidos com uma outra “metamorfose ambulante” defendendo um 3º mandato, o que tem sido negado até aqui? Qual a garantia que podemos ter - se as coisas ficarem mais difíceis nos próximos meses e anos - de que o Presidente não voltará às suas origens, fazendo renascer a cartilha do PT ?

Quero crer, honestamente, que essa declaração não tenha passado de um equívoco verbal e foi mais uma das frases mal colocadas pelo presidente Lula. O que precisamos hoje é de paz e de um regime democrático cada vez mais fortalecido para podermos almejar um futuro melhor para nossos filhos e netos. O Brasil é um país abençoado, que tem sol, água e terra o que lhe permite vislumbrar um futuro mais promissor e menos desanimador para seu povo. É preciso, pois, que os políticos também entendam essa realidade, auxiliem no processo de desenvolvimento e que nosso presidente, seja ele qual for, nos faça sentir orgulho de ser brasileiro e não nos incline em que transformemo-nos também em “metamorfoses ambulantes”.

Presidente Lula, faça algo tão logo quanto possível para livrar-nos desse mal estar atual, que é de sermos liderados por uma “metamorfose ambulante”.


Essa doeu, demais!

Objetivos deste nosso Blog

Prezados/as visitantes
Gostaria de esclarecer para todos/todas que prestigiam este blog, que nosso objetivo não é ser dono da verdade. Temos nossa opinião, que manifestamos de acordo com nosso consciência (este é o único padrão que nos rege). Isto não quer dizer que nossa opinião é melhor ou pior do que de ninguém. O que pretendemos é colocar claramente como vemos as coisas acontecendo aqui e no mundo e dar espaço para o visitante concordar ou discordar. Solicitamos, entretanto, que sejam discutidos o conteúdo dos artigos, comentários ou notas e não a pessoa ( que sou eu) que escreve tais comentários. Da mesma forma em qualquer eventual crítica será levada em conta o conteúdo recebido e não faz difereça quem escreveu .... todos somos iguais nesse processo. ninguém é melhor do que ninguém.
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Grato
Alcides Amaral