domingo, 10 de fevereiro de 2008

Os lucros das multinacionais

Só uma pequena nota, pois voltaremos no decorrer da semana a elaborar um pouco mais sobre o nosso problema cambial , o que temos de bom e o que nos espera aí pela frente.

Todos devem ter ficado surpreendidos com o altíssimo volume de remessas de lucros e dividendos para o exterior no ano de 2007. Enquanto até 2003 o volume girava ao redor de US$ 5,0 bilhões anuais, em 2005 subiu para 12,6 bilhões evoluindo de maneira significativa em 2007 para US$ 21,2 bilhões.

O que isto significa ? As multinacionais estão ganhando mais no Brasil ? Correto, o Brasil cresceu de 5,0% em 2007 e trouxe oportunidades para todos aqueles que estão aqui instalados. Mas as multinacionais faturaram tanto mais ao ponto de quase dobrarem o envio de remessas de lucros e dividendos ?

Certamente que não. Os lucros foram melhores, não há dúvidas, mas o "X" da questão é a paridade cambial. Como o real vem se valorizando frente ao dólar nos últimos anos, hoje com o mesmo lucro em real em relação a 2005 e 2006, por ex., as multinacionais remetem MAIS dólares para o exterior. Portanto, mesmo que performance de uma multinacional fosse ruim - lucro estável em reais de um ano para o outro - assim mesmo ela mostraria mais lucros em dólares, face a valorização do real, que é o que interessa para sua casa matriz.

Vamos, portanto, ficar alertas a esse fato que é um dos problemas que o "real supervalorizado" está criando para o Brasil. Espero que o governo - senhor ministro Mantega - já tenha percebido este essa anomalia pois temos que, enquanto é tempo, efetuarmos ajustes na nossa política cambial. Pois como dizia o inesquecível Mario Henrique Simonsen,
"a inflação aleija, o câmbio mata".

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Cartões Corporativos, o "novo mensalinho"

Não pretendia retornar ao blog esta semana, enquanto a poeira da folia ainda paira pelos ares. Mas, acompanhando os desdobramentos dos "cartões de crédito corporatívos do governo", não resisti depois de ouvir o que a Dra. Wilma, nossa mais poderosa e eloquente ministra, disse na TV na 4ª feira em seu tom habitual(professoral). De acordo com o Estadão de ontem, a ministra da Casa Civil, dra. Wilma Rousseff, uma mulher inteligente e bem preparada, afirmou que vai retirar os cartões dos ministros, sob o argumento de que "o princípio da transparência impede que alguém compre para si mesmo". Nesse caso, o uso do cartão ficaria por conta dos assessores.

Inicialmente me pareceu uma piada de mau gosto, daquelas que estamos acostumados a ouvir em Brasília, mundo diferente do qual vivemos. O presidente Lula gosta dos seus improvisos e o povão adora. Mas, examinando o assunto com mais cuidado cheguei a conclusão que a intenção da ministra Wilma é verdadeira, não há nada de piada de mau gosto.

Ora, pergunto eu assim como milhões de brasileiros; Se não podemos confiar nos ministros no uso adequado do cartão de crédito, qual seria a atitude a tomar ? Cortar o cartão de crédito como se pretende ou cortar o ministro ?

Não resta dúvida que se este fosse um país sério - como já duvidava Napoleão Bonaparte - teriamos novos ministros e, especialmente, menor número de ministros para reduzir gastos e facilitar o controle. E essa "intenção" de cortar o cartão corporativo dos ministros ganha repercussão maior quando vemos a teve Bandeirantes reproduzir ( ontem à noite) parte do debate presidencial entre Lula e Alckimin oportunidade em que o então candidato Lula declarou que a única coisa boa que o governo Fernando H. Cardoso criou foi o cartão corporativo. E ele, o nosso Lula, estava falando sério e não era nenhuma outra piada de mau gosto.

O problema , entretanto, é muito mais profundo do que a proposição da dra. Wilma. O abuso - ou uso inadequado dos cartões - começa mais acima do nível dos ministros , e vem descendo degraus abaixo até atingir seguranças dos filhos do Presidente e funcionários públicos dos Estados, como é o caso do nosso Estado de São Paulo. Aparentemente temos aí um "novo mensalinho."..quanto mais a imprensa pesquisar vai encontrar a mesma farra em outras partes do Brasil e, não dúvido, no próprio Congresso Nacional.

Só para citar alguns números publicados pela imprensa, o Gabinete do presidente Lula gastou R$ 3,6 milhões em 2007, incluindo as necessidades do presidente e da primeira dama, Marisa Letícia.Os seguranças dos filhos do presidente também possuem seus cartões, bem como milhares de funcionários pertencentes a todos os ministérios. O problema alcançou repercussão tão grande na imprensa e no Congresso - que ainda está sob o rescaldo do mensalão, dólar na cueca, etc. - pois o valor de R$ 75,0 milhões gasto em 2007 é mais do que o dobro gasto em 2006 ( R$ 33 milhões). O ministério do Planejamento foi o campeão de bilheteria com gastos de R$ 34,0 milhões em 2007, seguido da Presidência República com R$ 16 milhões. Ironicamente, o Ministério do Turismo ( que é um ministério que, a príncípio, deveria consumir boa verba ) dispendeu apenas R$ 2.780,00, isso mesmo, dois mil setecentos e oitenta reais.

O que assusta ainda mais é que do total dispendido em cartões corporativos pelo governo , nada menos do que R$ 45,0 milhões ( mais da metade) foram saques efetuados em dinheiro. Se o próprio presidente Lula elogiou a criação do cartão de crédito corporativo pelo presidente Fernando H. Cardoso, como justificar essa montanha de dinheiro espalhada pelos bolsos dos funcionários (e ministros) . O princípio do cartão é para facilitar os pagamentos, desobrigando as pessoas a carregarem valores expressivos nos bolsos na rua ou nas suas viagens. O cartão engloba também segurança, mas o pessoal do Brasília ( e de São Paulo também ) prefere o dinheiro no bolso.

Diante desse quadro assustador - parece que estamos no início de outro escândalo gigantesco neste país - os congressistas só falam em CPI. O presidente Lula anuncia que liberará cargos para barrar a CPI, mas deputados tucanos querem CPI mista com início em 2001, envolvendo assim governos FHC e Lula.

A verdade é que uma CPI a mais ou uma CPI a menos não vai fazer diferença nenhuma, pois tudo quase termina em "pizza". Muito tempo e muito dinheiro gasto para, no fim, ficar tudo como está. Os número que a imprensa apresenta hoje como utlização de cartões corporativos do Estado de São Paulo ( R$ 108,0 milhões )são superiores ao governo federal o que certamente terminará em CPI também por aqui.E assim vai nos outros estados onde a imprensa tiver acesso pois essa utilização inadequada dos cartões de crédito corporativos mais parece uma nova forma de se "governar" no Brasil, à custa do povo. Pois no fim quem paga todos esses excessos somos, nós, contribuintes.

Daria para escrever um livro sob o assunto - o "novo mensalinho" certamente fará parte do meu segundo livro - mas vou ficando por aqui. Faz de conta que ainda é carnaval, tudo isso não passa de "fantasia" e o Brasil continua vivendo em berço explêndido. Mas, cuidado senhores governantes...um dia a paciência acaba !

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

As novas crias do mundo financeiro

O reinício das atividades do meu blog não poderia ser mais constrangedor, mas tenho que fazê-lo. Tenho poucos amigos e creio não ter inimigos, mas quando vejo um colega - no caso William Rhodes, famoso mundialmente por ser o renegociador da dívida externa de países com dificuldades - ser ironicamente mencionado pelo sr. Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central do Brasil, em artigo escrito para a revista Época, não posso calar-me.

Tentando esclarecer os fatos, enviei correspondência para a revista solicitando que publicasse meus comentários, o que já não aconteceu na edição que saiu hoje, sábado de carnaval, com data de 4/2/08. Certamente o tempo foi curto, o texto longo, mas espero que na próxima edição a revista Época faça justiça ao citibankense que no ano passado comemorou 50 anos de trabalho na organização.

Para que os visitantes saibam do que estou falando, segue o texto que enviei por e-mail no dia 31/1/08 à redação da revista Época, a saber :

“Prezados Senhores

Na revista Época do dia 28 de janeiro, o ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco, escreveu artigo sobre “As novas crias do mundo financeiro”. Tudo perfeito, até que no final afirma que se tivéssemos nosso “Fundo Soberano de Riqueza” seria favorável a compra de ações do Citibank “com a recomendação de que nosso simpático velho conhecido Bill Rhodes fosse designado para cobrar hipotecas inadimplentes”. Como ex-citibankense que sou e acompanhei tudo o que aconteceu no front externo do Brasil de 70 para cá, considero essa ironia descabida e provocativa. Em primeiro lugar, se não tivéssemos o velho Bill o acordo da divida externa sob os auspícios do Plano Brady nunca sairia e a divida externa brasileira ainda estaria por aí. Ele pode ser muito exigente e persistente, mas lutou muito, com o apoio do John Reed, para que o Brasil efetuasse o acordo sem a participação do Fundo Monetário Internacional, que era exigência dos bancos europeus, asiáticos e assim por diante. O México e a Argentina para efetuarem o mesmo acordo precisaram da participação do FMI. A crise atual do Citi deve ser criticada, pois foi muita incompetência da cúpula da organização. Mas o Bill Rhodes tem responsabilidades em outras áreas, junto a governos, bancos centrais e organismos internacionais como o sr. Gustavo Franco sabe muito bem. Finalizando, se tivéssemos o articulista como presidente do Banco Central, o Brasil não teria chance de ter o FSRs pois, em 1998, ele com sua política cambial errônea (câmbio controlado pelo BC) deixou o Brasil perder US$ 40 bilhões de reservas internacionais e só não “quebrou” pois contou com a ajuda do FMI e governos de países do primeiro mundo. Vai dai, ao invés de fazer ironia ao Bill Rhodes, o sr. Gustavo Franco deveria tirar o chapéu para ele por ser elemento decisivo para que a divida externa brasileira deixasse de ser um problema.

É isso que gostaria que fosse publicado. Entretanto, se os srs. considerarem o texto longo demais e quiserem dar espaço para que eu escreva um artigo a respeito , posso fazê-lo com melhor embasamento.
Grato pela atenção.
Alcides Amaral
Jornalista e ex-presidente do Citibank S/A”


Por enquanto é só. Depois do Carnaval voltaremos à ativa e, se possível, com assuntos mais agradáveis e de maior interesse dos visitantes deste espaço.

Bom Carnaval.

sábado, 22 de dezembro de 2007

O início de uma nova etapa

“Senhor, dai-me serenidade para suportar as coisas que não posso mudar, coragem para mudar as que posso e sabedoria para distinguir umas das outras. Mas, dai-me Senhor, sobretudo, ânimo bastante para não desistir daquilo que eu penso estar certo, mesmo que seja sem esperança”

( Almirante C. Nimitz )




Com a chegada do Natal estarei saindo de férias e só voltarei às minhas atividades diárias no fim de Janeiro de 2008.

Essas longas férias não são devidas a cansaço físico , falta de ânimo de continuar lutando por tudo aquilo que acho correto , mas sim por um certo cansaço mental. O ano de 2007 foi , para mim, um ano difícil embora - felizmente - tenha sido melhor para grande parte da população brasileira, que teve mais comida na sua mesa , um pouco mais de esperança num futuro ainda mais promissor. E não é por outra razão que idolatram o presidente Lula, que mesmo criticado por muitos - inclusive por mim - fez a diferença para a parte mais sofrida da população.

Meu cansaço mental vem da constatação que poderíamos estar melhor do que estamos, que a corrupção cresce e se alastra para todos os cantos e que os políticos esqueceram que são os representantes do povo e nada fazem por ele. Para aqueles - como eu - que acompanham diariamente o que acontece no mundo e no País, fica a sensação de que continuamos a ser o último vagão do trem do desenvolvimento sustentado. Pouco aproveitamos da maré mundial a nosso favor para aprofundarmos nossos fundamentos, criarmos pilares sólidos para enfrentar qualquer tormenta que o futuro possa nos “premiar”. É certo que o “céu de brigadeiro” do cenário internacional chegou ao fim, 2008 será diferente para o Brasil. Pior ou melhor, depende apenas de nós. Da capacidade de gestão da cúpula de Brasília, da volta dos políticos ao trabalho e do vigor dos nossos empresários. Pois gente, trabalhadores e mão de obra qualificada, é o que não falta neste país.

Diante dessa realidade, decidi tirar essas férias prolongadas para repensar nesta nova etapa da minha vida. Continuarei mantendo meu blog ativo e minhas participações na imprensa escrita e falada ? Deixarei tudo de lado por um tempo e partirei para escrever meu segundo livro? Ou, partirei para novos projetos além daqueles que já tenho na minha vida profissional ( conselhos de empresas e ONG’s) ?

Essa dúvida veio crescendo ao longo das últimas semanas , quando percebi, com mais clareza, que a imprensa tem pouco peso - alguns órgãos mais outros quase nenhum - em relação ao que acontece em Brasília. A CPMF - um assunto econômico - foi decidida politicamente (primeira derrota política do presidente Lula). Mas, infelizmente, para mim pouco ou nada vai mudar. O presidente Lula ocupará os espaços na sua maneira usual, os reflexos da não prorrogação da CPMF se farão sentir nas decisões que o governo irá tomar. E quem pagará a conta, sem dúvida, seremos nós, o povo, os contribuintes. E será que é isso, questionando, na maioria das vezes, o que acontece em Brasília que quero continuar fazendo ? Por isso, preciso parar para pensar.Ou me engajo de vez na minha “veia jornalística”, ou o projeto de vida será outro.

Queria, portanto, agradecer todos aqueles que me prestigiaram esse tempo todo, que leram e comentaram meus artigos no Jornal do Brasil e na Gazeta Mercantil. Que mantiveram ativo o meu blog, visitando e opinando.


Grato, mesmo !


quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

A hora e a vez dos empresários (3)

Neste último artigo da série referente a extinção da CPMF, vamos focar na atuação dos empresários e o que precisamos deles no decorrer dos próximos meses. Uma “batalha” foi ganha pela Fiesp/Ciesp mas, infelizmente, a “guerra” não terminou.

Para convencer a população e congressistas a concordarem com a não prorrogação da CPMF até 2011, foi elaborado um documento detalhando as razões pelas quais o governo não necessita dos R$ 40 bilhões envolvidos na discussão. No “sumário executivo” são alinhadas as diversas fontes de receitas adicionais para 2008, num total de R$ 55,7 bilhões, o que faz com que “a CPMF é absolutamente desnecessária para o País, bem como o orçamento, equilíbrio fiscal e investimentos da União”.

Embora nosso propósito não seja discutir o trabalho elaborado mas, sim, o que vem pela frente, não podemos deixar de mencionar que algumas das premissas utilizadas já correm risco de não ser totalmente concretizadas. O menor desembolso de juros no total de R$ 13,9 bilhões pagos pelo governo, seria uma conseqüência da “trajetória declinante dos juros”. No quadro atual, com inflação externa e interna e possibilidades de pressão adicional nos preços, fica difícil acreditar que a taxa de juro chegue aos 9,6% a.a. previsto pelo trabalho, O ganho adicional de R$ 7,5 bilhões na “revisão da taxa Selic” também corre o mesmo risco. E para finalizar, o trabalho prevê uma redução de despesas de pessoal na ordem de R$ 5,5 bilhões. Há espaço para essa redução, seguindo o raciocínio lógico do “paper” da Fiesp/Ciesp. O problema, entretanto, é outro : no DNA do governo Lula não existe traços de “redução de despesas”.

Confirmando essa afirmação, o BNDES acaba de efetuar aumento de salário de 20% para quase metade do seu pessoal, os quais foram contratados a partir de 1988 (cerca de 1000 pessoas foram beneficiadas de acordo com a Folha). Existe um racional para essa decisão (esses funcionários recebem menos do que os mais antigos) , mas seria a hora de fazê-lo ? O governo não precisa ajustar suas despesas de custeio para fazer frente a perda da CPMF ?

Continuo defendendo minha tese de que a CPMF deveria ter sido prorrogada por 10 anos, com redução anual da alíquota em 0,03%, chegando a 0,08% em 2017, quando passaria a ser definitiva para dar à Receita Federal o instrumento que precisa para não deixar escapar os sonegadores. Em conversa que mantive pessoalmente, há alguns anos, com o então secretário Everardo Maciel, ele informou-me quão importante era a CPMF para flagrar os sonegadores. Pessoas cujas declarações de Imposto de Renda mostravam rendimentos e patrimônio baixíssimos, mantinham um giro bancário algumas vezes superiores ao que declaravam. Esse é, pois, um problema que não ficou resolvido com a simples extinção da CPMF. Creio que utilizando-se a proposta acima, o Governo teria condições de cumprir seus compromissos sem maiores problemas (deixaria de receber R$ 3 bilhões a menos anualmente, em moeda atual) e os contribuintes ficariam livres do imposto gradativamente, sem sustos.

É óbvio que não pagar mais nada daqui para frente parece ótimo para o contribuinte. É colocar mais algum dinheirinho no bolso direito .... quanto vai sair do bolso esquerdo ainda não sabemos.

A primeira indagação que fica é se os empresários irão reduzir os preços com a eliminação da CPMF, pois quem paga esse tributo é o consumidor. Alguns se queixavam que, na sua cadeia produtiva, tinham que pagar 5 ou 6 CPMF’s. Isto significa dizer que os preços devem cair mais acentuadamente nesses produtos. Enfim, o dinheiro que ainda é pago através a CPMF vai voltar para o bolso do consumidor ou irá aumentar o lucro das empresas?

Outra premissa defendida por alguns é que com a extinção da CPMF, o povo terá mais dinheiro no bolso e aumentará o consumo. Como a maioria da população brasileira recebe salários baixos, a economia com a CPMF é pequena e, portanto, pouco significará na capacidade de consumir. Aqueles que pagam mais CPMF, pois possuem situação privilegiada, não irão mudar seu padrão de consumo devido a essa receita adicional. Possuem muito mais para gastar, se quiserem, independentemente da CPMF. Portanto, muito pouco mudará no padrão de consumo do brasileiro.

O que me preocupa - e aí espero que a Fiesp/Ciesp atuem com a mesma energia - é que o governo virá com impostos/contribuições adicionais para ajudar a cobrir o “rombo” da CPMF. Se tivermos a tão falada reforma tributária, podem crer que será para aumentar a carga tributária e não para diminuí-la. Mesmo porque os governadores já provaram que são contra a redução de impostos pois também afetará os seus bolsos.

Enfim, encerramos aqui essa série relativa ao assunto “CPMF” para não azedar mais o paladar do povo brasileiro e, especialmente, os contribuintes. Será um ano de muita disputa política, que não sabemos qual será o capítulo final. O presidente Lula parece não estar muito preocupado com o “rombo” (sabe que o dinheiro virá de algum lugar) , pois acaba de anunciar investimentos de US$ 1 bilhão na Bolívia. E assim vamos tocando nossas vidas, na expectativa de que as coisas, um dia, irão melhorar. Que poderemos confiar naqueles que elegemos para nos comandar.

Mas está ficando cada vez mais difícil...

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

O impacto econômico (2)

Perdida a batalha política no Senado que disse “não” para a prorrogação da CPMF, o presidente Lula tem agora que enfrentar o desafio (pequeno para muitos, pois o governo tem arrecadação em excesso) de viver sem os R$ 40 bilhões orçados para 2008.Como o governo tinha como favas contadas a prorrogação por mais 4 anos do discutido imposto, terá que refazer suas contas rapidamente pois 2008 já está aí batendo na porta.

Diante dessa desagradável surpresa, o que se esperaria de um governo atento às suas despesas, seria ver o presidente Lula reunir a cúpula da sua administração e solicitar estudos urgentes para uma profunda reforma administrativa. Por exemplo, reduzir dos mais de 35 ministérios e secretarias com “status” de ministério, para 15 ou 20 ajustando suas despesas à nova realidade. Se algo nessa linha fosse efetuado, certamente o presidente Lula perderia alguns votos em Brasília, mas ganharia a simpatia e o respeito de uma grande parte da população brasileira. Temos burocracia demais, cargos demais, gente demais, fazendo tudo aquilo que antigamente era feito com menos pessoal.

Entretanto, como Papai Noel não existe o corte de despesas de custeio, se acontecer, será pouco significativo. Está no DNA deste governo não ter muita preocupação com as despesas, pois a receita virá de uma forma ou de outra.

Portanto, o impacto econômico pela perda dos R$ 40 bilhões será muito mais sentido pela sociedade do que pelo próprio governo. Emendas de parlamentares serão cortadas, atraso na liberação de verbas para ministérios, governo e municípios certamente farão parte do cardápio inicial. Novos impostos e/ou contribuições serão criados ou alguns deles, atualmente existentes, terão sua alíquota aumentada. Os projetos de infra-estrutura em andamento sofrerão atrasos, o custo Brasil continuará a ser um grande pesadelo para quem precisa movimentar sua produção. Os empresários - que lutaram arduamente pela extinção da CPMF - serão chamados a dar sua parcela de contribuição nesse esforço de reajuste nas contas do país. Anuncia-se que o “superávit fiscal” para pagamento dos juros da divida interna será mantido, o que nos parece fundamental. Caso o governo, por dificuldades de preencher o buraco deixado pela falta dos R$ 40 bilhões, vier a reduzi-lo será um verdadeiro “tiro no pé”. Seria uma medida condenável interna e, especialmente, externamente, a qual poderia mudar o humor dos investidores com relação ao Brasil. Esse assunto é delicadíssimo, não nos é permitido “fazer política” com ele.

De outro lado, espera-se que a economia continue crescendo, gerando mais receitas para o governo e minimizando o problema. Embora as perspectivas para a economia em 2008 não nos pareça tão atraente quanto o foi em 2007, deveremos continuar crescendo a níveis satisfatórios, apesar da inflação andar nos rondando perigosamente

Como se vê, na ótica de quem esta naquela situação de “pagar para ver”, o que deslumbramos é um ano de 2008 com maiores dificuldades, com o Senado sendo responsabilizado pelo corte abrupto da CPMF (o que eu, particularmente, também condeno). Na minha ótica, uma extinção gradativa, com redução da alíquota anualmente em 0,03%, faria com que dentro de 10 anos estivéssemos com a alíquota de 0,08%, que se transformaria em definitiva, pois daria à Receita Federal o instrumento que precisa para flagrar os sonegadores. Essa seria uma solução econômica viável para contribuintes e governo, que deixaria de arrecadar R$ 3 bilhões por ano, em moeda atual. Como, entretanto, a batalha foi “política”, a ninguém interessava uma proposta de consenso, daqueles que pensam no que é melhor para o país ao invés de colocarem seus interesses particulares e partidários em primeiro lugar. É bom que os “vitoriosos senadores” não se esqueçam que o presidente Fernando H. Cardoso também prorrogou a CPMF, quando o valor era bem menor, pois, segundo ele, “não poderia viver sem aquela receita”. É a tal de “metamorfose ambulante” a qual o presidente Lula se referiu, recentemente.
Sou de opinião, portanto, que o “impacto econômico” da perda da receita da CPMF será difuso, e o governo não perderá oportunidades para apontar culpados quando o dinheiro faltar. A “saúde”, tão falada nesses dias, deverá pagar uma parte da conta, o que é lamentável. Num país pobre como o nosso, investimentos em saúde e educação são essenciais. Em Brasília, entretanto, o “jogo político” vem em primeiro lugar.


Obs. o próximo artigo desta série “CPMF” será publicado 4ª feira neste espaço.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

A derrota política (1)

Como primeiro artigo desta série sobre a rejeição da CPMF pelo Senado Federal, não poderiamos deixar de começar pelo - no nosso modo de ver - único fator positivo dessa disputa que se arrastou por meses em Brasília. A derrota política que 34 senadores impuseram ao presidente Lula, foi o fator a ser, teoricamente (mais abaixo explico porque), comemorado pela sociedade. Aquela postura autoritária e de imperador do presidente Lula foi abalada, pois parecia inimaginável que depois da fácil aprovação na Câmara o governo sofreria o revés que sofreu no Senado Federal.

Embora governadores da oposição ( José Serra, Aécio Neves, etc) tenham se posicionado a favor da prorrogação da CPMF pois vislumbravam mais dinheiro para seus estados, os 34 senadores não arredaram pé e foram até o fim.

Na realidade, um ato de heroismo desse grupo de parlamentares que "não estavam à venda por dinheiro nenhum". Queriam a derrota política do presidente Lula, que ele respeitasse e dialogasse mais com o Congresso e deixasse de ser um ser ausente das grandes discussões do país.

Na teoria, tudo perfeito. Lula sofreu sua primeira importante derrota política que custará caro para o governo e para a Nação. Ficou sem os R$ 40 bilhões que já estavam no seu orçamento de 2008 e agora terá, juntamente com sua equipe econômica, de enfrentar o desafio de efetuar um ajuste de contas não previsto. Lula, como sempre, acreditava no seu carisma e no seu suporte popular para vencer qualquer batalha na Câmara e no Senado. Não levou a sério as dificuldades enfrentadas no Senado até os últimos dias e, aí, ficou dificil, ou melhor, impossível reverter a situação.

Portanto, o que se espera é que depois dessa derrota política o presidente Lula mude seu comportamento, dialogue mais com os congressistas, arquive sua postura de imperador. Finalmente o Brasil ganhou, mostrou que temos uma democracia de fato, e as coisas deverão melhorar daqui para frente com cada qual exercendo seu papel.

Isto é o que todos esperam, essa é a teoria de que falei acima mas, eu aqui com meu botões, creio que, na prática, pouco ou nada vai mudar.

Primeiro porque o presidente Lula, vencedor que é, tem seu modo de pensar e agir e não parece que vai recuar no primeiro revés. Foi derrotado três vezes na luta para a presidência da República, mas conseguiu vencer na terceira quando muitos consideravam impossível. Dizia-se, até, que existiam apenas duas verdades em política : a primeira, que Lula seria candidato à presidente da República; a segunda, que ele perderia !

Segundo, por ser uma pessoa que se fez por si só e chegou à presidência da República por méritos próprios face ao seu carisma e sua liderança, não vejo que é agora que irá mudar. Muita coisa será dita para jogar a culpa dos problemas que teremos que enfrentar nos ombros dos 34 senadores que tiveram a coragem de enfrentá-lo.

Last but not least, Lula continua sendo idolatrado pelo povão e na última pesquisa CNI/Ibope a aprovação do seu governo subiu de 63,0% para 65,0% da população brasileira. Só 30,0% (a elite e parte da classe média) desaprovam Lula , como presidente.

Portanto, baseado nesse importante cacífe político, saberá fazer com que essa população que o aprova não seja atingida pela rejeição da CPMF e, se por acaso o fôr, a culpa será da oposição que lhe tirou o pão das maõs.

É pagar para ver. Como o período de "céu de brigadeiro" já havia acabado, as nuvens negras chegaram mais perto de nós e o Governo será colocado à prova do que é capaz de fazer em ambiente desfavorável. Mas, para mim, uma coisa parece certa, Lula continuará sendo o Lula que conhecemos, com agressivos discursos de improviso , tudo aquilo que o povão quer ver e ouvir. Desde que a "bolsa-família" e os programas sociais não sejam afetados ( e eles, dificilmente, o serão) , Lula não será igualmente afetado, para desespero daqueles que tiveram coragem de enfrentá-lo.

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Obs ; o segundo artigo da série será publicado na 2ª feira, dia 17 de dezembro.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

A CPMF e suas implicações

Prezados visitantes
A partir de amanhã estarei escrevendo um artigo diário ( por uns 3 ou 4 dias ) analisando/comentando as várias implicações da não aprovação da CPMF pelo Senado. O assunto é importante, tem várias vertentes e pretendo dar meu parecer sobre cada uma delas. Serão comentários de minha inteira responsabilidade, baseados na minha experiência de executivo de uma multinacional e que conviveu longo tempo perto dos governos( exceto do governo Lula, pois já havia me aposentado). O assunto é mais complexo do que parece à primeira vista, creio que foi um êrro econômico a simples não aprovação da prorrogação da CPMF, como também estou convicto de que a prorrogação por mais 4 anos, como queria o Governo, também seria um ato para ser criticado.
É um exercício que farei junto com aqueles que me prestigiam neste espaço e dos/das quais gostaria de obter comentários,críticas ou sugestões depois do término dos artigos ou durante o processo.
Abraços
Alcides Amaral