domingo, 24 de fevereiro de 2008

O sonho do Ronaldo

Já é do conhecimento daqueles que nos prestigiam com suas visitas, que neste espaço tratamos prioritariamente de assuntos econômicos e políticos. Mas quando acontece que temos algo a dizer sobre algum ídolo ( especialmente brasileiro, que são tão poucos) não importa qual a área de atuação. Portanto, vamos deixar nossa mensagem para o ídolo Ronaldo, que depois de uma cirurgia delicadíssima no ano 2000, seguiu as palavras de São Francisco de Assis "Faça o necessário, depois o possível e, de repente, estará fazendo o impossível".

E fez, com muita fibra e dedicação, aquilo que poucos acreditavam que ele poderia fazer. E foi mais longe ainda, nos deu a Copa do Mundo de 2002. Inesquecível o feito daquele homem, muitas vezes questionado, mas que superou a tudo e a todos.

E não é que 0ito anos depois, o mesmo Ronaldo, agora mais velho e um pouco mais pesado, foi novamente vítima do destino. O mesmo problema, delicadíssimo, só que agora na perna esquerda.

Volta a Paris, os mesmos médicos, a mesma cirurgia, e uma semana depois sai nosso ídolo do hospital, andando com dificuldades com o amparo de duas muletas.

Mais algo mudou, e para pior. Continua otimista, vai lutar para voltar a jogar e realizar seu sonho de terminar sua brilhante carreira na Flamengo, mas o semblante é bem diferente. E para pior.

Em fotos estampadas nos jornais de ontem, vemos o Ronaldo do ano 2000 saindo do hospital de bermuda, joelho à mostra, sorrindo e com uma camiseta onde a palavra "alegria" vem logo abaixo de um rosto redondo, emoldurado por um largo sorriso. Era um Ronaldo que inspirava confiança, em cujo semblante a fatalidade do acidente já era coisa do passado.

Agora, o Ronaldo de 2008, mais pesado, agasalhado, saiu do hospital de cabeça baixa, igualmente amparado por duas muletas. E o blusão ( e não mais uma camiseta) estampa uma caveira ao invés do rosto redondo , esbanjando alegria.

Sofri ao ver as fotos, pois a imagem que fica é que não teremos mais o "mesmo" Ronaldo. Nunca queria estar tão errado em minhas análises como agora, mas a superação de mais essa fatalidade será muito mais difícil do que a anterior. É moço ainda, ama o que faz, quer voltar a ser atleta e vestir a camisa do Mengão, mas o caminho será mais longo e sofrido.

Entretanto, embora os fatos nos fazem pessimistas com relação ao seu futuro como astro do futebol - ídolo já é, e continuará sempre sendo - a expectativa, e torcida, é que o nosso Ronaldo tenha a mesma fé e força e possa repeti São Francisco de Assis.

Seria justo , justíssimo, vê-lo encerrar sua carreira no Maracanã lotado , aplaudindo-o de pé. E isso acontecerá de uma maneira ou de outra. Correndo 90 minutos ou uns poucos minutos, não importa. O ídolo estará , em meses ou anos, realizando seu sonho ... e o povo brasileiro estará aguardando para aplaudí-lo

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Brasil aposenta Bill Rhodes

A grande notícia do dia , estampada em todos os jornais, diz respeito a mudança verificada nos últimos anos e que culminou agora , em Janeiro de 2008, quando o Brasil deixou de ser devedor para passar a ser credor internacional. É um fato a ser comemorado, um grande avanço nas contas externas o que , na prática, eliminou nossa eventual vulnerabilidade externa. Com reservas internacionais acima de US$ 180,0 bilhões, não há quem se atreva a "atacar" o real.

Com isso, o nosso velho e conhecido Bill Rhodes, que toda vez que visitiva o Brasil era sinal de que tinhamos algum problema com a dívida externa, pode tranquilamente aposentar-se em em relação ao nosso país. O Brasil - nem os bancos credores - irão precisar mais dos seus préstimos pois o trabalho realizado nos últimos anos e, em especial, a renegociação da divida externa entre 1991 e 1994 surtiram os efeitos desejados. O Brasil até alí considerado um "mau pagador", efetuou contrato de longo prazo com o governo Fernando H. Cardoso cujo acordo foi cumprido por sua administração e , igualmente, pela administração Lula. Tudo que foi escrito e combinado entre 1991 e 1994, foi fielmente honrado pelos dois presidentes brasileiros. Só isso já é um motivo de orgulho para nós que, por força das atribuições que tinhamos no Citibank, acompanhamos os penosos anos da década de 80 quando qualquer acordo assinado não durava mais do que dois ou tres anos.Portanto Bill, as portas de Brasília continuam abertas, para visitas de cortesia.

Hoje passamos a ser credores internacionais, as firmas brasileiras investem no exterior, o dólar deixou de tirar o nosso sono, pois está sobrando no caixa. E, aí, paradoxalmente, começa o perigo.

Já dizia o saudoso Mario Henrique Simonsen que "a inflação aleija, mas o câmbio mata". Hoje o real é a moeda mais valorizada do mundo em relação ao dólar, o que, convenhamos nós, não representa a nossa realidade.

Como a preocupação número "um" do Banco Central sempre foi controlar a inflação - o que, na teoria , não está errado - o dólar foi também utilizado como "âncora"para tal fim. Dólar fraco permite mais importações o que faz com que os preços internos caiam. Essa situação, que não causava preocupação até o ano passado, já deu forte sinal negativo em Janeiro 2008 quando o saldo da balança comercial foi o menor desde Junho de 2002. Isto é, nossas importações, devido ao real valorizado, estão crecendo bem mais rapidamente do que as exportações, especialmente de bens manufaturados. Com isso os elevados superavits comerciais ( exportação menos importação) tenderão a cair ao longo do ano.

Tudo isso para dizer que o Governo tem que estar alerta para essa supervalorização do real. Graças às nossas taxas de juros elevadas continuamos atraindo capitais especulativos para arbitragens e com isso o real vai fortalecendo-se até chegar ao perigoso nivel atual de R$ 1,70.

Como nossa situação externa está consolidada, cabe agora ao governo reduzir essas vulnerabilidades impondo prazos ou limites para capitais especulátivos, fazendo com que o investidor estrangeiro pague o mesmo imposto que pagamos quando compramos titulos do Tesouro Nacional e assim por diante. O Governo tem um "leque de alternativas", não as aplica pois está preocupado com a inflação ou tem medo que tais medidas atrapalhem nosso sonho de sermos "investment grade" ainda este ano.

O certo é que temos uma conta altíssima para ser paga e o Governo não pode continuar "empurrando com a barriga". Isto é, comprando dólares no mercado para não deixar que o real despenque de uma vez e deixando o problema para administrações futuras.

Hoje, entretanto, temos que comemorar o feito alcançado mas a ressaca não pode ser muito longa. Esse assunto "câmbio" ainda exigirá muita criatividade do governo para que não troquemos a preocupação do passado com o "dólar" pela do futuro com o "real".

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

"O Brasil progride enquanto dorme"

Com o título acima, o brilhante jornalista Arnaldo Jabor escreve um artigo hoje para o Caderno 2 do Estadão ( o mesmo Estadão que me fechou as portas sem que eu saiba direito porquê ), que deve ser lido.

Utilizando-se da frase dita por Oswaldo Aranha há 60 anos ( "O Brasil progride enquanto dorme) descreve com maestria o que acontece em nosso país.

Um país pràticamente sem governo, vai indo para frente e o presidente Lula ganhando pontos e mais pontos da população, pois a economia vai bem, o emprego e a renda melhoraram pois o setor privado está mais ágil, mais ativo. Os juros baixaram na ponta do consumidor, os prazos aumentaram, e muita gente passou a consumir, o que não fazia anteriormente. Há um clima de otimismo, justificável, nas classes menos favorecidas.

Mas aquele 1/3 da população que não aprova o governo, assim como Jabour e eu, ficamos desanimados em verificar que poderiamos tirar vantagem desse momento e colocar o Brasil próximo ao primeiro mundo. Com tres reformas apenas ( tributária, trabalhista e política) e alguma solução para o câmbio ( o real não pode continuar tão valorizado eternamente) , teriamos um país com os fundamentos em ordem, totalmente protegido contra qualquer crise externa. Mas não. O presidente vai ver o gelo de perto, o ministro fala de vez em quando e a impressão que fica é que quem trabalha, de fato, é o presidente do Banco Central. Pulso firme sempre que foi necessário, venceu barreiras políticas, implementou sua filosofia de trabalho, acredita que o Brasil não desperdiçou o bom momento mundial mas adverte que "ninguém está totalmente imune a uma séria crise internacional" (recessão nos Estados Unidos, problemas na China afetando suas importações de commodities, e assim por diante).

Esse é o Brasil que vivemos , enfrentando a famosa volatilidade no mercado financeiro, mas com sua economia caminhando forte internamente. Os escaândalos estão por aí ( os cartões corporativos já não é o último deles) mas nada afeta este país que progride enquanto o governo dorme.

É outra lição que este jornalista sem pasta está aprendendo. Muitas vezes, não governar é melhor do que governar.... deixa o setor privado ditar as regras. Que o Congresso continue dormindo também é um alívio para nós. Só espero que tudo isso não passe de um sonho e que este seja o começo de um novo Brasil. Tenho minhas dúvidas, mas estou torcendo para estar errado e o presidente Lula faça tudo aquilo que ainda não fez pois o povo brasileiro merece. Afinal, ninguém tem 2/3 de aprovação da população por acaso... este fato temos que respeitar.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

As complicações da "bolha imobiliária"

Amigos e amigas leitores deste espaço, infelizmente ( ou felizmente) a cada dia estou aprendendo que sei menos do que achava que sabia. Depois de aprendermos o que é "sub-prime", vieram os problemas com cartões, emprestimos pessoais, enfim, toda e qualquer operação que atinge a pessoa física no gigantesco mercado financeiro norte-americano.

Agora, acabo de receber relatório da Merrill Lynch com o titulo "Auction market securities failure ; what happenende ? O texto nos informa que um "unprecedented" numero de leilões de "market securities" falharam na semana passada e especialmente no dia 13/2/08. O não êxito dos leilões atingiram os " student loan securities", municipal bonds e "taxable" e "non-taxable" funds.

Mais para frente o texto afirma que efetuará os comentários iniciais sobre o futuro "of ARPs and CEFs" que também foram atingidos por essa "unprecedented"falta de liquidez. Isto é , a falta de liquidez é um problema ainda grande nos Estados Unidos, mesmo depois de todas ações tomadas pelo FED e governo norte-americano.
E não tenho a menor idéia do que seja "ARP" ou"CEF"...

Honestamente, agora, não sei qual será o fim dessa situação por total falta de imcompetência e/ou desmando administrativo dos "banqueiros" e "operadores" norte-americanos. Certamente ganharam bonus milionários, mas colocaram tudo a perder.

Uma coisa que eu sei, pois aprendi e apliquei em toda minha vida, é que toda vez que o mercado ou as operações tornam-se mais sofisticadas, o nível de controle tem que ser mais efetivo. Auditoria interna, auditoria externa, banco central, todos devem estar com os "dois olhos abertos" para essa nova realidade para não acontecer o que está acontecendo e que ninguém, repito, ninguém sabe qual será o fim. Continuo firmemente acreditando que os grandes brancos permanecerçao vivos pois são "too big to fail", embora o Citigroup não atendeu a resgate significativo em um dos seus fundos de hedge do mercado americano no fim da ultima semana. Mau sinal, muito mau sinal.

Portanto, aqueles que acompanham os mercados local e internacional que fiquem de olhos bem abertos e ouvidos bem atentos. Cada novo dia poderemos ter novidades que mudarão o cenário que desenhamos no dia anterior. O negócio é no dia-a-dia e muito sangue frio. Essa será minha estratégia, pois enquanto não entender TUDO o que estiver acontecendo ( e não creio que chegarei lá ) tenho que colocar "as barbas de molho".

Triste situação criada pela filosofia dos "bonus" e da ausência total ( ou incapacidade total) das autoridades fiscalizadoras.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Bernanke e o mercado

A fala do presidente do FED ao Senado americano ontem foi de uma clareza e sinceridade que temos que respeitar. Foi realista quando disse que os problemas ainda existem, que nada será resolvido em um trimestre, mas que a economia americana não entrará em recessão pois o governo ( e o Fed) estão agindo e agirão sempre que necessário.

Isto é, "o problema está aí, ainda não todo resolvido, mas estamos , agora, tomando as necessárias decisões e assim será daqui para frente."

Mais uma vez, eu leigo nesse mercado, não entendo o que o "mercado" queria ouvir. Disse o que deveria ser dito, pelas palavras do Bernanke não tem maiores crises aí pela frente ( recessão, etc) e agora todos estão vigilantes. Daí a reação do mercado, para baixo , mais parece que é "jogo de vendidos" ou daqueles que quiseram se apropriar dos lucros de 3 dias de altas no mercado acionário.

Por isso, continuo afirmando que essa "roleta global" é só para entendidos, pois tem muitos "MBAs" espalhados pelo mundo tomando decisões que favorecem seu negócio e não aquilo que seria mais adequado para o mercado como um todo.
Mais uma vez,a volatilidade vai continuar, ela é oportuna para alguns e os novos fatos(que acontecerão semanalmente) darão o tom pelo peso que os "analistas" consideram adequado.

Continuo acreditando que as boas empresas valem , na maioria das vezes, mais do que o mercado representa hoje, pois são bem posicionadas, lucrativas, e com planos sólidos de crescimento. Quem "casar" com uma delas não irá perder no longo prazo, mas no curto brazo quem manda é a "roleta global", infelizmente.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

O vinho e o mercado de ações

Como, de acordo com Louis Pasteur, "há mais filosofia e sabedoria numa garrafa de vinho , que em todos os livros" aprovetei o fim da noite de ontem para, com minha taça de vinho acompanhada do inseparável queijo, meditar um pouco sobre o mercado de ações e o que ouvi durante o almoço com um grupo grande de amigos e entendidos no assunto. Para mim a Bolsa é uma "roleta global", onde o dinheiro gira rapidamente e aqueles que não entendem o mecanismo desse difícil mercado, acaba sempre perdendo. Entra na hora errada e sai na hora errada.

Fui buscar, então, um pouco de "sabedoria" na taça de vinho e efetuar uma análise própria do que acredito irá acontecer até o final deste ano de 2008.

Não creio, em primeiro lugar, que a economia americana entrará em recessão. Haverá queda de crescimento, mais desemprego, mas o governo procurará fazer tudo que estiver ao seu alcance - assim como FED - para as coisas permaneçam sob controle.Os bancos estão sendo olhados com cuidado, linha de redesconto a 4,00% ao ano ajuda muito a renegociar a carteira dos inadimplentes do setor imobiliário bem como daqueles que se financiam de outras formas, inclusive cartão de crédito.

A grande dúvida é se os grande bancos já lançaram no balanço todos os prejuizos acumulados ou está sobrando alguma coisa para os próximos trimestres. Portanto, para que tenhamos uma visão melhor é bom irmos com cautela e montando posições em ações ( aqueles que conhecem o mercado ) ao longo do tempo.

Certamente o Brasil sofrerá menos do que os Estados Unidos, por várias razões. Depois de mais um gole de vinho e de "sabedoria" fica claro que nossa inflação interna permanecerá comportada, o país crescerá algo como 4,00% / 4,50% pois os preços das "commodities" continuam em alta. Portanto, o perigo poderá vir da China, que é a maior responsável pelo nível de preços das "commodities". Nossas taxas internas de juros também devem permanecer no nível atual - altas mas já absorvidas pelo mercado - e o real continuará super-valorizado por mais algum tempo.

Enfim, terminando minha taça de vinho, não parece que teremos grandes desastres aí pela frente e, se assim for, a "roleta global" poderá voltar a girar a nosso favor . Sofremos muito em Janeiro de 2008 pois houve retiradas maciças de recursos estrangeiros da Bolsa, e para tais valores não há reposição com dinheiro local. Eu, como leigo nesse mercado, mas que sofre por manter uma carteira de ações , fico mais confiante pois acredito que o cenário externo não será tão ruim como antes previsto ( embora a tal de "volatilidade" estará por aí de tempos em tempos). Se dependesse das ações internas do nosso governo, acredito que nem a "filosofia e sabedoria" da garrafa de um bom vinho resolveria. Aí teriamos que voltar aos livros, que é um processo mais desgastante e menos saboroso.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Guga, o campeão !

Preferi deixar os cartões corporativos de lado ( mesmo depois da nova declaração do presidente Lula que é a favor da divulgação dos gastos pela internet, excluindo-se, porém, as despesas com segurança - isto é, investiguem os outros mas não minha família), para ocupar este espaço com uma pessoa que merece todo nosso respeito e admiração. O maior campeão brasileiro de tenis entre os homens ( não podemos omitir a inesquecível Maria Esther Bueno, imbatível à sua época) despediu-se ontem, na Costa do Sauipe, das quadras de tenis aqui no Brasil. Foi uma derrota indiscutível para um argentino, mas o importante da festa ficou para depois do fim da partida.

Com o microfone nas mãos nosso campeão Guga agradeceu aos presentes, sua família, seu técnico , os brasileiros que sempre o apoiaram e, em lágrimas, afirmou que "não é que eu não queira mais continuar jogando, peço até desculpas, mas é que não consigo mais". Depois dos problemas nos quadris, Guga nunca mais conseguiu ser mais o mesmo e está aposentando-se precocemente, aos 31 anos de idade.

Neste Brasil onde a podridão impera, ver aquele campeão derramar lágrimas saídas do corração, mexeu com todos. Mesmo assistindo ao episódio pelo Bom Dia Brasil da TV Globo, hoje pela manhã ,enquanto tomava meu chá, não pude também conter as lágrimas. Foi um momento de muita emoção, onde um campeão chorava como crianças por "não poder mais defender seu país".

Fato raro, de extrema sensibilidade, que merece não apenas nossas lágrimas (como acontece agora novamente) mas nossos aplausos a esse brasileiro de Santa Catarina.

Guga fará falta nas quadras mas deixou para nós brasileiros, desiludidos pelo que acontece neste país, a esperança de que ainda temos pessoas que reagem como seres humanos, puros, que derramam lágrimas pelo término de uma missão.

Parabens, Guga. Você será sempre o nosso campeão e ajude-nos a formar novos campeões como você.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

O Brazil com "z"

O Brasil visto lá de fora , onde o "s" é substiuido por "z", está bem melhor do que nossa visão interna, pelo menos a minha. Nesta semana dois órgãos de imprensa respeitados - a revista "The Economist" e o jornal "Financial Times" - elogiam nosso país por razões diferentes. Pela "bolsa-familia" ( The Economist) e pela nossa aparente imunidade a crise internacional, o que não acontecia há uma década .

Com o titulo de "Happy families", a revista "The Economist" fala do nosso bolsa-familia, dos países que estão copiando ao redor do mundo , dos resultados positivos que o presidente Lula alcançou. Segue dizendo que "apesar do sucesso inicial da bolsa-família, tres preocupações permanecem. Primeiro é em relação a fraudes, pois em programas similares nunca 100% dos recursos chega às maõs dos beneficiários. E alguém dúvida que isto não esteja acontecendo no Brasil ?

A segunda preocupação é que a bolsa-família fique sendo um programa permanente da sociedade brasileira , ao invés de um programa temporário até que oportunidades
sejam encontradas para os mais pobres. Pois o que enobrece o homem é o trabalho.

E a terceira preocupação - que é de grande parte dos brasileiros - é que a bolsa-família foi equacionada para "vote-buying", isto é, compra de votos.

Apesar dessas preocupações - todos brasileiros prefeririam que pudessemos ensinar os pobres a pescar ao invés de dar-lhes o peixe - a revista afirma no longo artigo que "por um custo modesto (0,8%do PIB)o Brasil está recebendo um bom retorno" . E conclue dizendo que seria positivo "se a mesma coisa pudesse ser dita com relação ao resto das despesas do governo".

Como se vê, o Brasil é admirado e elogiado mas o "se" sempre está presente.

O "Financial Times" ,de ontem, também elogia a maneira como o Brasil vem enfrentando a turbulência atual, pois há 10 anos a situação seria bem diferente.

É verdade, o Brasil era muito mais vulnerável externamente do que é hoje, pois possuia uma política cambial errônea ( câmbio administrado), reservas internacionais insuficientes que poderiam desaparecer em alguns meses (como aconteceu em 1988/1989, na gestão Gustava Franco). Hoje temos um colchão de reservas internacionais superior a US$ 190 bilhões, e não há chance de "ataque ao real". A ameaça de recessão, de acordo com a revista, não atingiu o Brasil que só terá solavancos se tivermos uma recessão nos Estados Unidos, e desaceleração na China, que reduzirá o preço dos commodities e das exportações brasileiras.

Depois dessas considerações positivas - e justas - a revista alerta que para nos fortalecermos mais consistentemente e enfrentar uma possível crise internacional, deveriamos controlar os gastos do governo (gastar mais inteligentemente) , aumento da produtividade, estímulos ao setor privado e reformas fiscal e trabalhista.

E aí que mora o perígo. Todos já sabemos que redução/contrôle de despesas não está no DNA do governo. Que o governo Lula não fará reforma alguma até o fim do mandato, mesmo porque o Congresso tem muito o que fazer com os"mensalões", "mensalinhos" e assim por diante....além das férias sagradas, é claro.

E a "The Economist" finaliza dizendo que podemos nos orgulhar dos progressos alcançados mas o sentimento de "urgência" é necessário para manter o "momentum".

"Urgência" , pois, é a palavra chave e o grifo é nosso. SE o nosso governo ( e o Congresso) tivessem a ousadia e coragem de efetuarem a reforma tributária e a reforma trabalhista, pelo menos, o país seria outro. Aí seriamos, sim, com certeza, uma das dez maiores economias do mundo por mérito do trabalho dos brasileiros e não, como é hoje, devido a apreciação do real. Desculpe, mas para quem não sabe, o PIB é calculado em reais e depois convertido em dólares. Portanto, quanto mais forte o real e mais fraco o dólar, teremos um PIB maior. Mas um simples ajuste de,pelo menos, 20% na taxa de câmbio, reduziia nosso PIB na mesma dimensão.

Enfim, o mundo está nos observando, gosta do que vê no momento, mas olha para frente e encontra alguns "ifs". Temos, pois, que trabalhar para elimina-los o mais rápido possível, o que honestamente poucos acreditam quando olhamos hoje para Brasília e vemos como as coisas se desenrolam.
Quero, porém, estar errado e calar minha boca se a profecia de São Francisco de Assis também se aplique no Brasil : " Faça o necessário, depois o possível e, de repente, você estará fazendo o impossível".