sexta-feira, 7 de março de 2008

Bush versus Recessão

Com a divulgação que o número de empregos reduziu em fevereiro e os prognósticos de que os Estados Unidos já estão em recessão, os mercados, como era de se esperar, reagiram negativamente.

Devido a desconfiança e mau humor reinante no mercado americano, o presidente Bush veio agora à tarde à televisão para tentar acalmar os ânimos do povo americano. Disse que o "pacote" de mais de US$ 150,0 bilhões que foi aprovado pelo Congresso recentemente, começará a trazer efeitos na economia nas próximas semanas. Esse volume de dinheiro nas maõs dos consumidores, mais as ações do FED (vide comentário abaixo) deverão , segundo o presidente Bush, criar um clima mais positivo para a economia do país.

A verdade é que, a primeira reação do mercado foi negativa, pois as bolsas continuaram a cair. Aqui no Brasil a queda , àquela altura, estava mais acentuada e com volume pequeno, pois quando não temos dinheiro externo nas bolsas normalmente o volume é pequeno e os preços sempre caem bem mais do que nos Estados Unidos.

Mais um episódio dessa "roleta global" que está se arrastando por todos os continentes. Boas notícias, de fato, só mais para frente, quem sabe quando Papai Noel chegar.

Até lá muito chá de erva-cidreira para manter os nervos em dia.

FED versus Recessão

Pelas notícias vindas de NY, a maior economia do mundo já está em recessão e , pelo andar da carruagem, o segundo trimestre também aponta para pequeno crescimento negativo.

O FED - banco central americano - apesar dos riscos inflacionários deverá agir com mais cortes significativos na taxa de juro. Vai ser o desafio do FED num ano eleitoral onde a recessão só jogará contra o candidato republicano, que para mim tem muito pouco chance de vencer. A briga de verdade, creio eu, está entre os democratas que só têm a ganhar com esse quadro sombrio da economia americana, sob a administração Bush.

Portanto, haja volatilidade, pois o baixo astral nos Estados Unidos é evidente. Enquanto o otimismo ainda reina por aqui, os agentes de mercado da terra da "bolha imobiliária" andam de cabeça baixa. E deverão ficar assim por mais algum tempo.

A vez da Espanha

Todos aqueles que viajam certamente ainda se lembrarão do costrangimento que os brasileiros viveram nas suas viagens aos Estados Unidos ,depois do ataque às torres gemeas em 2001. Regras duríssimas foram estabelecidas pelas autoridades americanas, só faltava eles mandarem a gente tirar a roupa , pois sapato, casacos , etc tinham que ir para a cadeira ao lado.

No nosso entender ( não no deles ) as novas regras eram exageradas e devido a reclamação em massa dos viajantes brasileiros, o governo brasileiro não tardou em estabelecer regras semelhantes para norte-americanos entrarem no Brasil. A lei da reciprocidade foi implementada, muito americano que conheço chiou das exigências e da demora de passar pela alfândega, mas era o que o nosso governo tinha que fazer.

Agora, chegou a vez da Espanha. Os jornais divulgam diariamente que brasileiros foram barrados na sua entrada por Madrid e , depois de alguns dias de abandono no aeroporto, foram deportados para o Brasil. Não se fala outra coisa hoje em dia e não dá para entender porque o Itamarati não agiu tão rápido como fez com o governo-americano. A Espanha merece "tratamento especial" nesse "affair" ?

Estima-se que 3.000 brasileiros tiveram que retornar em 2007 assim que pisaram no aeroporto espanhol, e em dois meses de 2008 cerca de 600 foram igualmente devolvidos. Os espanhóis alegam que Madrid tem sido porta de entrada na Europa para o caminho da prostituição - o que, em parte, deve ser verdade - mas acontece que muita gente que vai a trabalho ou simplesmente passeio recebe o mesmo tratamento.

Hoje cedo os jornalistas estavam em Guarulhos aguardando a chegada de 20 brasileiros que foram devolvidos, ontem, para seu aeroporto de partida. Igualmente , reportava-se que a Bahia devolveu ontem 8 espanhóis para Madrid pois não possuiam ticket de volta, não possuiam cartão de crédito e apenas uma quantidade de dinheiro que não condizia com o período de estada no Brasil

Todos, igualmente, sabem, que aviões mais aviões vindos da Europa chegam no nordeste do Brasil para apreciar as praias brasileiras e para a prática do "turismo sexual". Meninas novas, preços insignificantes atraem muita gente para o nordeste hoje,infelizmente.

Portanto, o Itamarati , ou mesmo o presidente Lula, tem que dar um basta nessa situação. Olho por olho. Se a Espanha é a bola da vez, que seja. Embora tenhamos nossos pecados, não somos um país habitado só por bandidos e os espanhóis sabem muito bem disso.

O que recomendo para os turistas é que deixem a Espanha de lado ,pois a Europa possue lugares muito mais interessantes para serem visitados. Aqueles que forem a trabalho, que sigam as regras para não passarem o mesmo vexame de outras centenas de brasileiros. E quem quer entrar na Europa para viver da prostituição, que fique alguns dias no aeroporto - de castigo - e que sejam mandados
de volta. Vamos, pelo menos nesse episódio, tentar preservar a imagem do nosso país.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Ninguém na frente

Como todos sabem , o BC manteve a taxa de juro Selic em 11,25% pois o "desconforto" com a inflação futura ainda persiste... e nada de correr risco.

Com isso, de acordo com cálculos efetuados por Amir Antonio Khair ex-secretário das finanças de São Paulo, o Brasil passou a ter a taxa de juro real mais alta do mundo. É bom não esquecermos que os juros reais são calculados descontando da taxa básica a inflação projetada para os próximos 12 meses.

Com a redução de juros e inflação nos países emergentes e com a manutenção dos 11,25% ,passamos a Turquia que ficou em 2º lugar.

Brasil, portanto, em 1º lugar com taxa real de juro de 6,73% , Turquia em 2º com 6,69%, Austrália em 3º com 4,89, México em 4º com 4,18% e Inglaterra em 5º lugar com 3,23% e assim por diante.

Com essa taxa de juro, o câmbio utilizado para âncora da inflação e o preço da gasolina e querosene que não aumentam desde 2005 ,embora o barril de petróleo alcançasse ontem preço record de mais de $ 104,00 o barril, o IPEA veio hoje aos jornais propondo freio à entrada de dólar.

Eu , com a minha ignorância, creio que estamos brincando com "fogo". Não podemos aguentar essa taxa de juro pelo resto da nossa vida, bem como o real valorizando frente ao dólar para que o governo fique bem na "fotografía"....

Sarney fica

Enquanto os Estados Unidos lida com seus sérios problemas, a China mostra sua grande preocupação com relação à inflação (veja abaixo) , a grande notícia por aqui foi que Sarney fica. Isto é, como conseguiu colocar afilhado seu como presidente da Eletrobras, desistiu da licença para escrever um novo livro. Com isso o Senado fica "fortalecido" com Sarney e outros companheiros que o seguiriam, o que dá mais poder ao governo.

Como se sabe, a CPI dos "cartões de crédito" já está passando para o esquecimento pois nosso eficiente Congresso não conseguiu ainda definir "quem será o que" nessa outrora importante CPI. Com as discussões e negociações intermináveis nos corredores do Congresso, o povo vai voltando atenção para os fatos mais recentes. Aparentemente isso é tudo o que o governo quer.

A China nos holofotes

Enquanto todos os economistas e analistas continuam acompanhando de perto o que acontece nos Estados Unidos - teremos ou não recessão, será suave, prolongada ? - a China deve merecer um pouco mais de atenção de nossa parte. Grande comprador das nossas commodities, enfrenta neste começo de ano a forte ameaça da inflação. Em janeiro subiu 7,1% em relação a janeiro de 2007, principalmente devido ao aumento dos preços de alimentos e habitação.

O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, não esconde que essa é sua prioridade número um que certamente afetará mais a classe rural que tem uma renda per-capita de 1/4 da população humana.

De nada adianta ter uma China que cresceu 65% desde 2002 ver o desenvolvimento belissimo de Shangai e Beijing, por exemplo, e a classe rural ainda mais sacrificada do que é hoje.

Portanto, para nós, que temos a China como grande parceira comercial, todo cuidado é pouco. Em 2007 a China cresceu 10% e os prognósticos agora são mais modestos, com crescimento de "apenas" 8% em 2008.

Vamos, pois, colocar a China nos nossos holofotes.

Ainda o Citi

De acordo com o presidente-executivo do Citigroup, Vikram Pandit, "o banco é sólido, bem capitalizado e a maioria das unidades é de empresas dinâmicas e prósperas".

Este é, também, o sentimento de alguns analistas de NY. Um deles disse-me ontem que o maior problema que o Citi enfrenta hoje é que o mercado está muito focado nos problemas relativos a "bolha imobiliária" e deixando de ver o lado positivo do banco. Certamente que o Citi tem problemas, mais prejuizos para constabilizar, mas existem setores e unidades que continuam gerando receitas - como aqui no Brasil - para fazer frente às necessidades de provisões.

A preocupação existe mas, segundo amigos de NY, o Citi não está parado e pretende virar essa página negra tão logo quanto possível ( creio que em dois ou tres trimestres).

Continuamos alertas mesmo porque com a esperada solução dos problemas do Citi o mercado certamente se acalmará.

terça-feira, 4 de março de 2008

Citi news

A situação do Citibank lá nos Estados Unidos continua difícil. Eu que sou crítico do "management" do Brasil ( Lula & Cia) tenho que me penitenciar. O nível de incompetência do "ex-management" do Citi ( foram,felizmente, colocados na rua) era bem maior do que vemos por aqui.

Mas não se desesperem. O Citi terá mais prejuizos para reportar devido a "bolha imobiliária" e o FED ( Banco Central Americano ) terá ainda muito trabalho para acalmar a situação, Mas creio firmemente que quem tem dinheiro no Citi não irá perder e aqueles que tem ações terão que ter um pouco de paciência. Boas novas, mesmo, só para o ano que vem.

Vejam o estrago que a "filosofia do bonus" fez no meu ex-banco e fiquem alertas para o fato. Quanto mais dinheiro um banco ganha mais ele tem que apertar os controles para não devolver em dobro.

O Citi, mais uma vez, será um "case study" como o foi no começo da década de 90. A sorte é que ele é "too big to fail"...e o FED sabe muito bem das implicações.

Estamos acompanhando, vamos continuar acompanhando e conviver com a "volatilidade" que a situação do Citi e de outros bancos que também "deram o passo maior do que as pernas" , irão proporcionar.

São os custos da "roleta global".