segunda-feira, 17 de março de 2008

FED em ação

A "herança maldita" deixada por Greenspan - a famosa "bolha imobiliária" - continua fazendo estragos. O FED do sr. Bernanke nunca trabalhou tanto e neste fim de semana deu uma solução para o banco de investimentos Bear Stern(adquirido pelo JP Morgan) e baixou a taxa de redesconto dos bancos.

Mas como a impressão agora quase generalizada é de que os Estados Unidos já estão em recessão ( o pacote do Bush de cerca de US$ 170 bilhões ainda não fez o efeito desejado), o cenário é quase de fim de mundo, o que não é o caso. As bolsas no mundo todo abriram a semana em baixa e a moda agora é investir commodities com o que os preços irão subir ainda mais criando inflação no mundo todo.

Portanto, alerta pessoal. Vamos ser cautelosos nos nossos gastos e nos nossos investimentos. A chuva, fina e fria, chegou para ficar por algum tempo.

domingo, 16 de março de 2008

Lula de volta ao trabalho

Depois da Veja dessa semana destacar a afirmação de Lula ( tomando banho de mar) que "eu não posso crer que apenas eu queira trabalhar, os parlamentares não", o que os parlamentares tem a fazer é colocar o rabo debaixo das pernas e permanecerem nos seus "redutos eleitorais". É a maneira mais fácil e prática de enfrentar esse desafio, pois sabemos que parlamentar trabalha 3 dias por semana mas possui 40 dias de férias, além das faltas às sessões pois ninguém é de ferro para passar muito tempo em Brasília.

Embora a crítica seja pertinente ( temos um Congresso que produz pouco ou quase nada em favor do povo ) , é de chamar a atenção o comportamento de Lula nos últimos dias. A afirmação acalorada que no Brasil temos corrupção em todo lugar - somos uma Nação onde a corrupção impera - deixou-nos abismados pois é obrigação dele, como presidente combater a corrupção.

E agora, o que pretende com o Congresso? Destruí-lo mais do que já está destruído pelos seus próprios representantes ? Colocar-se como o único homem que o "povão" deve respeitar pelas suas benesses e seu jeito de falar de líder sindical ?

Não sei o que está por trás de tudo isso. O que o Lula não faz - mas deveria fazer com urgência - era diminuir o tamanho da sua "máquina" para poupar um pouco a população com a carga excessiva de impostos. Enquanto isso não for feito, continuaremos a ser um país de apadrinhados, que gasta muito mais do que pode e deve.E é por isso que desde já assumi o Ciro Gomes como meu candidato....aquele que tem "coragem" para mudar a "cara" deste país, começando por um enxugamento do setor público.

sábado, 15 de março de 2008

Citi fortalecido no Brasil

Baseado numa reunião informal do CEO do Citibank, Mr. Vikram Pandit, com analistas em NY, a M. Lynch emitiu relatório ontem reportanto alguns dos assuntos discutidos. O mais importante para nós aqui no Brasil é quando o relatório diz que "It seemed clear that this will not be a process of splittting up Citi; in the targeted Emerging Markets, universal banking is a key strengh".

Em outras palavras, os principais mercados emergentes ( e o Brasil é um deles ) fazem parte da força global do Citibank. Isto não quer dizer que em Abril ou Maio sejam anunciados ajustes na estrutura de custo do banco como o todo e o Brasil também seja afetado, mas , pelo tom da conversa de Mr. Pandit e do relatório, o Citi no Brasil fica como está, fortalecido pois está contribuindo positivamente para a Organização. Creio que os "boatos" de venda estarão eliminados, de vez, em um ou dois meses.

Mr. Pandit encontra-se "excitado" com a maioria dos negócios, principalmente fora dos Estados Unidos. Estão havendo estudos para que se estabeleça "the right structure and management" mas os detalhes só serão oferecidos ao mercado no dia 9 de Maio, o chamado "Citi Day".

Até lá a M.Lynch mantem a ação do Citi como "neutral" embora suas projeções mostrem resultados excelentes a partir de 2009 ( lucro acima de US$ 20,0 bilhões).

Como ex-citibankense fico feliz com esse relatório, que não esconde as dificuldades atuais da organização, mas desenha um futuro muito positivo, com o Citi readquirindo a pujança que sempre teve.

Estamos acompanhando e torcendo pois afinal o Citi ainda é parte da nossa casa.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Chuvas de Março

Como acontece anualmente, as chuvas de Março chegaram, e com intensidade de mexer com toda a cidade. E com isso, o "céu de brigadeiro" que tínhamos até aqui em nossa economia também desapareceu. Dias mais sombrios pela frente, mais energia e criatividade serão exigidas do governo.

A ata de ontem do Copom já demonstra o pessimismo do Banco Central com relação ao nível da inflação e ameaça aumentar os juros para conter o consumo, que está forte e bastante alavancado em crédito.

Com o "início" da execução de uma nova política cambial, a expectativa é de que o dólar suba e o real deixe de valorizar-se como vinha acontecendo até agora. As medidas que começarão a vigorar na 2ª feira ainda parecem tímidas, algo mais terá que ser feito para que os exportadores de manufaturados e bens de capital possam voltar a ser competitivos no mercado internacional . Com relação ao capital externo de curto prazo, é cedo para avaliar o impacto. É certo que o dinheiro que entra para arbitrar contra o real não é bem-vindo e se, realmente, o Copom aumentar a taxa de juro interna, terá que olhar esse assunto novamente.

Embora o preço do barril do petróleo já tenha ultrapassado os US$ 110,0 o barril - devido ao enfraquecimento do dólar ao redor do mundo - por aqui nada acontece com o preço da gasolina e diesel. O governo sabedor de que qualquer aumento de combustível será fatal para a inflação, vem segurando-o desde 2005 e, com isso, descapitalizando a Petrobras que precisa de recursos e mais recursos para exploração de suas mais recentes descobertas. Sem falar nos prejuizos dos acionistas minoritários....

A grande solução, que ajudaria a resolver boa parte dos nossos males, seria o governo cortar seus gastos e deixa agir de como se o seu dinheiro caisse do céu e não viesse do bolso do povo e das empresas, via impostos. Mas ao contrário,o ministro do Planejamento veio ontem à TV para informar que o governo está contratando mais pessoal e dando aumento de salários generosos a um contingente enorme de pessoas.

Estamos, pois, no início de outra realidade e vamos ver como o governo se comporta. Creio que está chegando a hora da verdade mesmo porque , para complicar, a situação lá nos Estados Unidos ainda não está resolvida. Só a partir de meados de abril saberemos um pouco melhor como está a situação dos grandes bancos e o que será da economia americana daí para frente. Encerro por aqui, sem falar da China, pois aí minhs cabeça começa a ficar confusa.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Nova política cambial

O governo que sempre afirmava que a política cambial era o câmbio flutuante, finalmente se rendeu aos fatos e deu os primeiros passos na nova política cambial.
Digo os primeiros passos pois logo deverão vir outros pois as medidas tomadas ontem são benvindas mas não serão suficientes para recolocar o real no seu devido lugar. A própria Fiesp informa que essas medidas foram submetidas ao governo há 2 anos, mas ninguém tomou conhecimento delas.

A partir de 2ª feira os exportadores deixarão de pagar IOF - o que é mais do que justo - e os estrangeiros pagarão o tributo em 1,5% em aplicações de renda fixa e títulos públicos. Se tais medidas tivessem sido tomada há algum tempo, quando o dólar estava ao redor de R$ 2,00/R$2,20, a eficácia das medidas seriam bem maiores. Mas não preferiu onerar os exportadores com a perda da CPMF e continuou utilizando a queda do dólar como âncora para a inflação. O governo foi lerdo nas suas medidas - como é do seu feitio - e agora só nos resta a expectativa de como os mercados reagirão na próxima 2ª feira.

Pelo menos o governo acaba de concordar implicitamente que "política cambial" não é apenas deixar a moeda flutuar ao seu bél prazer, mas que medidas são necessárias quando há distorções significativas, como é o caso da valorização do real. Nossas reservas internacionais estão em níveis adequados, nossa dívida externa praticamente inexiste razões pelas quais não precisamos de dólares especulativos para, apenas criar distorções , no país. As bolsas não foram afetadas - e não devem sê-lo - e os investimentos de longo prazo igualmente.

Apesar do atraso em dar início a política cambial no governo Lula, parabéns ao ministro Mantega e equipe pelo ponta pé inicial. O Brasil vai bem internamente mas temos muito a fazer quando nos comparamos aos outros países emergentes. Basta, pois, mais ação pois a solução para os problemas estão por aí na cabeça de todos. Tem faltado muita vontade política para quebrarmos esse círculo vicioso e esperamos que agora vai.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Pacote para o dólar

Os jornais hoje estampam grandes manchetes informando que o governo está estudando medidas para segurar a valorização do real.

Enquanto tais medidas não forem estabelecidas, fica difícil dizer quais os efeitos positivos e negativos do anunciado "pacote".

Algumas verdades, porém, precisam ser ditas :

- o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, é a pessoa quem tem sido a mais ponderada no que diz respeito aos comentários referentes a valorização do real e os eventuais riscos que o país pode correr ;

- abaixar os juros locais seria o melhor caminho para colocar o "real" do seu lugar, na medida que o "real" deixasse de oferecer prêmio aos investidores e especuladores. Mas isso o governo não vai fazer pois a inflação está por aí, e essa é a melhor arma que o governo possui para controlá-la;

-o governo foi lerdo demais - o que não é novidade - em perceber que alguma coisa de errado estava acontecendo com a valorização do "real". Não é possível que nossa moeda seja aquela que mais se valoriza em relação ao dólar no mundo inteiro. Mas era conveniente ter o dólar desvalorizado, para favorecer as importações e segurar os preços internos e cumprir as metas inflacionárias.

- como foi lerdo, agora terá que emitir um "pacote" que, se tiver efeito , fará o dólar subir o que poderá pressionar um pouco mais a inflação. Que fazer, aumentar os juros locais que já estão nas alturas ou "chorar sobre o leite derramado" ?

Por diversas vezes alertei para a valorização excessiva do "real", e que um dia teríamos que enfrentar a realidade. Parece que a hora chegou. Vamos, agora, testar a capacidade do governo em estabelecer regras que atinja seus objetivos e não crie impactos negativos na economia.

Esse é um tema que certamente ocupará a mídia pelos próximos dias, e os visitantes deste espaço poderão acompanhar a opinião de quem conviveu com o inesquecível Mário Henrique Simonsen, para quem "a inflação aleija mas o dólar mata". A situação , à época, era diferente mas o lembrete ainda é válido.

Lá fora, o pessimismo continua

A posição assumida ontem pelos FED - Banco Central Norte-Americano e alguns outros bancos centrais, de injetarem mais bilhões de dólares na economia para esvaziarem a bolha imobiliária e dar algum folego para recuperação economica americana, foi aceita de maneira bastante positiva pelos mercados. Os preços das ações subiram em todo mundo , muito otimismo e os comentários, àquela altura, eram ; agora vai.

Entretanto, lendo hoje comentários de analistas internacionais parece que a crise não tem fim. O volume de dinheiro colocado à disposição do mercado não é suficiente, diz o economista chefe da Merill Lynch, enquanto que o Financial Times publica matéria segundo a qual o problema da "bolha imobiliária " não seria de bilhões de dólares mas sim de dois ou tres trilhões de dólares.

Com esse clima de pessimismo, não há como estabelecer tregua no mercado e as transações com esses papéis voltarem à normalidade, com os descontos necessários. Não sei onde está a verdade mas o fato é que enquanto as pessoas não acreditarem que o FED, bancos centrais e governo americano estão no caminho certo, poderemos ter uma crise sem precedentes.

Os balanços do 1º trimestres dos bancos comerciais e de investimentos darão um pouco mais de luz `s essa discussão. O importante é que as autoridades envolvidas em salvar o sistema consigam virar essa página, para os mercados voltarem a atuar com alguma racionalidade.

Continuo firmemente acreditando que não haverá quebradeira no mercado (pois estamos falando de grandes bancos comerciais e de investimento) , mas que os bancos favorecidos pela ajuda do governo terão uma dura conta para pagar. Abril, quando saem os balanços trimestrais, será, para mim, o mes da verdade.

Até lá vamos conviver com a tradicional "volatilidade" , justificativa que o mercado inventou para não termos que dizer que não sabemos o que está acontecendo e o que vai acontecer.

Por enquanto, um chá de camomila ajuda a controlar a ansiedade e nervosismo.

terça-feira, 11 de março de 2008

As bolhas de quatro rodas

Hoje não irei falar da "bolha imobiliária", do Lula ou da "roleta global". O tema é "As bolhas de quatro rodas"

Infelizmente da mesma forma que a "bolha imobiliária" foi construida nos Estados Unidos, a cada dia fico mais preocupado com a possibilidade de termos nossa bolha no mercado financeiro, que diz respeito volume de carros novos colocados no mercado a cada dia. Graças a prazos a perder de vista ( 7/8 anos), juros convenientes, valorização do real e crescimento da economia que tornou todo mundo um "pouco mais rico", não fica difícil imaginar o dia em que muita gente não poderá pagar as prestações e o valor do carro - então usado - será maior do que a dívida. Como estamos falando de 7/8 anos, é muito provável que tenhamos alguma "barrigada" da econômia aí pela frente e que o poder aquisitivo - e talvez o emprego - sejam afetados.
Nós já vimos esse filme, com bancos e financeiras com pátios abarrotados de carros recebidos dos clientes inadimplentes, e o temor é que tal fenômeno aconteça novamente em escala maior.

Embora o Brasil esteja hoje em situação mais sólida - reservas internacionais praticamente cobrem a dívida externa - e menos vulnerável, temos muitas nuvens aí pela frente, além dos Estados Unidos que não é mais uma nuvem e sim uma violenta tormenta. O preço do barril do petróleo não pára de subir, a China está ameaçada pela alta da inflação e pode crescer menos nos próximos anos. Enfim, há motivos de sobra para acompanharmos com cautela.

Portanto, cabe agora aos bancos e financeiras olharem com mais rigor a concessão de crédito para que eventuais problemas futuros possam ser absorvíveis.

A segunda "bolha de quatro rodas" é pior ainda pois afeta toda a população paulista. Devido ao excesso de carros colocados no mercado, o trânsito que nunca foi bom por aqui, está ficando insuportável. Hoje, porque choveu pela manhã, segundo a Rádio Bandeirantes o congestionamento chegou a 186 km às 9,00 horas da manhã quando o record histórico em São Paulo, vem de 2004, com pouco mais de 190 km na hora do rush.

Com o andar da carruagem, mais carros nas ruas diariamente, São Paulo se tornará em breve uma cidade instransitável.Cabe ao prefeito tomar medidas alternativas com urgência para que o paulistano possa chegar ao trabalho no horário adequado, sem ser obrigado a sair 2 ou 3 horas mais cêdo de casa.Por compromissos assumidos, tive que cruzar a cidade esta manhã e sei o sacrifício que passei. E o pior é que, com trânsito congestionado, cresce o risco de você ser assaltado.

Sei que pouco será feito tanto numa bolha como na outra - cada um quer cometer seus próprios êrros - mas fica o registro e convite para os homens e mulheres de bem :
vamos todos pensar juntos numa solução para que nossa cidade não seja um amontoado de carros , cercada pelos rio Pinheiros e Tiete.