quinta-feira, 22 de novembro de 2007

A arte de votar

Embora o Dia de Ação de Graças dos americanos tenha dado um pouco de sossego para nosso mercado ( na realidade um espelho do que acontece lá fora), as notícias por aqui na política continuaram correndo soltas. O Renan Calheiros continua licenciado e usando todas as artimanhas possíveis para não ser cassado. O PMDB agora ameaça ser independente, isto é, desligar-se do governo Lula. Dá par acreditar num PMDB independente depois do seu passado de um partido que servia ( e ainda serve) de suporte para alguém ( algum partido ) que oferece mais vantagens ? O Mares Guia aparentemente foi vitima do "mensalão mineiro".E por aí vai... a política no Brasil continua sendo um caso "sério", isto é, muitas vezes de polícia.
Portanto , vale neste final de dia mais uma das frases do ilustre brasileiro, Barão de Itararé, que dizia há,pelo menos, uns 40 an0s : "O voto deve ser rigorosamente secreto. Só assim afinal, o eleitor não terá vergonha de votar no seu candidato."
Até amanhã.

Paz por um dia

Como hoje é dia do maior feriado americano (mais celebrado do que o próprio Natal), teremos paz por um dia, pelo menos no que diz respeito às notícias originadas na terra do Tio Sam. Se o mercado ontem assustou-se com a previsão do FED, que prevê que o PIB americano crescerá apenas 2,5% em 2008 ao invés dos 2,75% previstos, ficará mais assustado ainda quando outras previsões forem sendo colocadas oficialmente, especialmente quando elas são originadas em países europeus. À propósito, no nosso artigo de fundo da próxima semana, tentaremos efetuar uma análise da economia americana para 2008, considerando-se a visão européia e a americana e eventuais impactos na América Latina. Nada científico - pois economia não é ciência exata e também não somos economistas - mas que deverá traçar cenários para discussões.
Até lá, entretanto, mais notícias e/ou comentários estarão à disposição dos visitantes que nos prestigiam.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Ainda a "crise imobiliária"

Mais um dia de mercado volátil (isto, é altos e baixos que só os "experts" sabem explicar) dado o problema da "bolha imobiliária" dos Estados Unidos.Como "ninguém é de ferro" vale mencionar uma das frases famosas do Barão de Itararé, que é a seguinte : " O banco é uma instituição que empresta dinheiro à gente se a gente apresentar provas suficientes de que não precisa de dinheiro." Desta vez, infelizmente, êle errou pois o que se viu nos Estados Unidos foi exatamente o contrário : os bancos emprestando dinheiro sem saber para quem e porque mostrando um nível de incompetência poucas vezes visto no sistema financeiro(e ignorando os ensinamentos do nosso ilustre barão).
Ah , já sei porque os "gringos" trocaram as bolas ... o competente e inteligentíssimo Barão de Itararé, que nos deixou em 1971, escrevia em português....

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Citigroup ; "no panic"

Várias pessoas entraram em contato comigo para tentar saber o que está acontecendo com o Citigroup/Citibank e o que deveriam fazer. Embora minhas palavras fossem de conforto, decidi manter contato com um "senior" do Citigroup em NY e um "vice-presidente" da Merrill Lynch, também de NY.

Após uma longa conversa, podemos resumir a situação da seguinte maneira :
-o Citigroup sofreu o impacto do sub-prime e outras tansações ligadas ao mercado imobiliário e talvez tenha que efetuar mais uma provisão de crédito de cerca de US$ 10 bilhões no 4º trimestre ;
-paralelamente o Citigroup possue várias outras atividades que estão dando lucro (cartão de crédito, negócios com pessoas juridicas, franchise internacional etc) que farão com que a provisão não pese muito no balanço do banco. O 4º trimestre possue boas chances de terminar com lucro, apesar da provisão mencionada;
-o Citigroup anunciou para o mercado que pagará os dividendos normalmente , pois a caixa do banco não foi afetada ;
-para provar que o Citrigroup continua tendo crédito no mercado, em 2 dias foram vendidas pelo banco "prefered shares" no valor de US 1 bilhão ao custo de 7,875% ao ano. O custo foi um pouco alto mas o Citigroup pode recomprar esses papéis a qualquer momento. O investidor que quizer fazê-lo terá que vender o papel a custo de mercado e, dependendo das taxas vigorantes e a situação do banco, ganhar ou perder dinheiro. Minha aposta é que o Citigroup recomprará esse papel em alguns anos, quando a tormenta passar e as taxas de juros cairem;
-durante os próximos 3 trimestres (até meados do ano que vem) a situação dos bancos americanos ( e, obviamente, do Citigroup também) continuará sendo afetada pela volatilidade do mercado. Mais algumas provisões de crédito provavelmente deverão ser efetuadas até que o mercado volte a normalidade;
- nunca devemos esquecer que o Citigroup tem um Net Worth (capital) superior a US$ 120 bilhões, portanto, com bastante fôlego para enfrentar esses desafios:
- o grande problema pendente é a falta de liderança no banco, pois o novo "presidente" ainda não foi contratado. Temos uma pessoa vinda da Europa agindo como CEO e trabalhndo junto de Robert Rubin, cuja experiência não precisamos comentar;
-finalmente, há interlocutores no mercado internacional dizendo que está chegando a hora de comprar ações de alguns bancos que foram muito afetados. Estão"baratas" e devem reagir com os ajustes dos bancos.

Portanto, o objetivo deste comentário é afirmar para os visitantes deste blog e leitores em geral que "there is no panic", isto é, não há pânico algum. Podem ficar tranquilos com relação a estabiliade do banco e continuarem operando normalmente com o Citigroup/Citibank. Crises como essa já foram enfrentadas e superadas e tão logo o problema de liderança tiver sido definido o cenário começará a mudar.

Como ex-citibankense que fui fico triste em ver a organização passando por mais essa fase difícil mas estou confiante que a marca "Citigroup/Citibank" é forte o suficiente para nos deixar dormir tranquilos pois quem não dorme é o banco ..."The Citi Never Sleeps".

Reforma tributária

Um famoso ex-ministro costumava dizer ; "não se iluda meu filho, toda vez que o governo fala em reforma tributária é para aumentar impostos e não para diminuir".

Creio que, desta feita, êle estará errado. O projeto de reforma tributária que o presidente Lula promete enviar ao Congresso até o dia 30 não deverá aumentar impostos, pois já chegamos no límite da tolerância (e do bolso). Mas como o presidente já antecipa que o projeto não será o "ideal" mas "fáctivel e possível", já podemos antecipar que será um projeto de "mentirinha". Não por culpa exclusiva do presidente Lula (a boa intenção está mostrada no envio do projeto) mas pelos fatos.

Muitos haverão de lembrar que no seu 1º mandatato, o Presidente também trabalhou na reforma tributária, que foi derrubada pelos governadores. Foram TODOS à Brasília, desceram a rampa com o Presidente para fazer pressão para o Congresso NÃO aprovar a reforma tributária. Pois, quando se efetua uma reforma tributária de fato, alguém tem que ceder para que a soma dos tributos possa ser menor. Só que a União, Estados e Munícipios não estão muito dispostos a "perder" as receitas que já possuem.

Vejam o caso da CPMF. O presidente Lula afirma que o governo não pode viver sem esse imposto e os governadores querem, caso seja prorrogado, obter uma fatia desse bolo. Portanto, estão buscando mais receitas para fazer frente às suas despesas, que é a única coisa que cresce no Brasil, com certeza.

Paralelamente, a maioria dos Estados não cumpre a Lei Fiscal e , pelo menos, 16 deles gasta mais com pessoal do que o permitido. O que fazer ?

Diante desse quadro, acreditar que teremos uma reforma tributária para aliviar o bolso do consumidor é acreditar em "Papai Noel". Este é um comentário que gostaria de podeer retratar-me mais para frente, pois a reforma "deu resultado". Mas calejado como estamos com relação a tudo o que acontece em Brasília, só nos resta aguardar e torcer para que eu venha a ter uma grande surpresa (redução real de impostos ) e que o famoso ministro esteja bem errado nas suas antigas e tradicionais afirmações.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Citigroup ladeira abaixo

O banco de investimentos Goldman Sachs emitiu comunicado hoje recomendando SELL (venda) das ações do Citigroup. As ações do Citi já cairam 40% este ano e apesar da provisão de crédito de US$ 11 bilhões já efetuada, o banco de investimentos acredita que teremos mais prejuizos aí pela frente provenientes da carteira de crédito (inclusive sub-prime e "off balance sheet"). Certamente o Citi errou totalmente a mão na administração da sua carteira de crédito (a "cultura" de crédito sempre foi forte no Citi ...) e , quando tal acontece, não tem perdão. O que mais entristece a mim, que efetuei carreira de 46 anos no Citi e tudo que tenho devo ao banco, é vê-lo nessa situação e o Goldman Sachs considerar-se mais pessimista por "falta de liderança". O Citi que sempre foi um banco que se diferenciou pela sua liderança tanto no mercado interno quando externo (solução do problema da dívida externa dos países em desenvolvimento), passa agora por essa situação constrangedora de não ter na sua equipe alguém que claramente pode resolver ou encaminhar a solução dos problemas do banco.Quem não se lembra de John Reed e William Rhodes além do saudoso Mario Henrique Simonsen no Conselho ? Robert Rubin, ex-secretário do Tesouro, é hoje o homem forte do Conselho de Administração, mas o president e(CEO) é interino e os "boatos" são de que o Citi estaria procurando alguém no mercado. Vamos torcer para que os problemas sejam resolvidos embora com um custo maior para seus acionistas. Gostaria de estar lá para poder ajudar (pelo menos esclareceendo a opinião pública do que está sendo feito para enfrentar os desafios) mas minha vez já passou e os tempos são outros.

O “fantasma” está de volta ?

No fim da década de 90 quando Fernando H. Cardoso era presidente e Pedro Malan o ministro da Fazenda , as conversas que tínhamos em New York eram interessantes. Vivíamos crises internacionais atrás de crises internacionais, até que a crise chegou ao Brasil no fim de 1988 e começo de 1999. Com o conhecimento que tínhamos, como presidente do Citibank, dos governantes brasileiros, tinhamos a certeza de que eles iriam cumprir os contratos da dívida externa recém assinada, que não haveria calote interno e que as dificuldades iriam ser superadas sem “surpresas” desagradáveis.

Diante de nossa firme posição de continuar apoiando o Brasil mesmo depois da desvalorização do câmbio em 1999, os “seniors” de New York sempre nos indagavam ; o que acontecerá com o Brasil quando tiver um governo de esquerda? As regras e os contratos serão honrados, ou teremos uma outra Argentina ?

Era uma pergunta difícil de responder pois o discurso do PT no país era “contra tudo que está aí”. O temor ficou evidente quando, em meados de 2002, Lula subiu nas pesquisas e o dólar chegou a quase R$ 4,00 . Era o “fantasma” de termos um governo de esquerda. Ninguém poderia imaginar o que iria acontecer.

Quando Lula assumiu o poder e deu continuidade ao Plano Real , o país acalmou. O dólar voltou rapidamente pois o “fantasma” desaparecera. Tínhamos um governo de “esquerda” e o Brasil continuava nos trilhos.

Vivemos um período de tranqüilidade com relação a continuidade do modelo econômico, o Brasil crescendo, os menos favorecidos felizes com o governo Lula. Tudo ia bem até que recentemente iniciaram-se os “boatos” com relação a um 3º mandato do presidente Lula, prontamente desmentido por ele. No começo deste mês o jornalista Boris Casoy escreveu, entre outros, na sua coluna do JB que “ao mesmo tempo surge um parlamentar petista, Devanir Ribeiro, copa e cozinha de Lula, e, num ato de “desobediência” ao amigo e ao patrão, lança a idéia de um terceiro mandato para nosso ilustre presidente”. Mais adiante afirma ainda que “Não tenham duvidas. Está no ar um processo golpista como nunca se viu antes neste país “.

O assunto - terceiro mandato - começou a fazer parte das discussões políticas até que na última quarta-feira o presidente Lula saiu em defesa de Hugo Chaves, afirmando que o presidente venezuelano não pode ser atacado por falta de democracia. Não bastasse, voltou a defender o presidente venezuelano das críticas por querer permanecer no poder no 3º mandato, cujo texto faz parte de reforma constitucional que será submetida a referendo popular em 15 dias. Isto é, Lula abraça todas as idéias e planos de Chávez de permanecer no poder o tempo que quiser.,

Enfim , estamos vivendo uma fase de transformação na América Latina e que começa a chegar perto de nós. O que Chávez realmente busca é uma espécie de “ditadura” em forma de lei, e o nosso presidente Lula parece concordar com esse modelo. Será que o “fantasma” de um governo de esquerda voltou de novo ao nosso país ? É simplesmente defesa a um amigo ou o apego ao poder esta fazendo com que nosso presidente queira também usufruir das delícias de Brasília por mais tempo ?

O que preocupa, na realidade, não é uma mudança constitucional que daria poderes ao presidente para um 3º mandato. O que nos deixa com um pé atrás ( ou com os dois, se possível ) é o porquê desse eventual interesse ? Para continuar fazendo exatamente o mesmo ? Parece que não. Seria a oportunidade de colocar em prática a velha ambição do PT de permanecer 20 anos como governo?

Vamos , pois, colocar as “barbas de molho” e ficar atentos aos movimentos futuros do PT e do presidente Lula . Seria um desastre para a economia se o “fantasma” voltasse novamente a nos assustar. O povo deste país não merece enfrentar nova crise gerada por nós mesmos.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Ações dos bancos americanos

Embora já tenha informado ontem que o problema não tem nada a ver com a dimensão que o Estadão deu na sua manchete de 2ª feira, queria simplesmente passar para os leitores o final de relatório recebido hoje da M.Lynch, que é o seguinte : "Em resumo, as implicações de colocar os ativos "nível 3" a mercado para as ações dos bancos já foram sentidas e o "dead-line" do dia 15 de Novembro não é aplicável a esses bancos."

Portanto, nada de novo "desastre" nos lucros dos grandes bancos americanos, mas a volatilidade do mercado vai continuar. As ações do Citigroup que ontem, durante a hora do almoço ,estavam subindo 5,0%, fecharam o dia com um ganho de apenas 1,5%.

De tudo isso, insisto, valeu a lição. Crédito é um negócio sério, os bancos americanos ignoraram o crescimento da "bolha imobiliária" e tiveram que pagar a conta. Um dos erros do Citigroup foi colocar um advogado como CEO. Fez excelente trabalho em tentar colocar a casa em ordem depois dos problemas da World Com,Parmalat, Enron, etc., mas aparentemente não deu atenção devida ao crédito pois não é sua especialidade. Mas o banco irá continuar sendo uma das maiores forças do mundo, pois possue uma "rede de agências" mundo afora e uma "cesta de produtos" que continuará crescendo e gerando lucro para a corporação e seus acionistas. Mas para quem foi citibankense como eu fui, dói ver tanto "mismanagement" .

Vamos virar esta página e nos ater aos problemas locais, que não são poucos.