quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Guga, o campeão !

Preferi deixar os cartões corporativos de lado ( mesmo depois da nova declaração do presidente Lula que é a favor da divulgação dos gastos pela internet, excluindo-se, porém, as despesas com segurança - isto é, investiguem os outros mas não minha família), para ocupar este espaço com uma pessoa que merece todo nosso respeito e admiração. O maior campeão brasileiro de tenis entre os homens ( não podemos omitir a inesquecível Maria Esther Bueno, imbatível à sua época) despediu-se ontem, na Costa do Sauipe, das quadras de tenis aqui no Brasil. Foi uma derrota indiscutível para um argentino, mas o importante da festa ficou para depois do fim da partida.

Com o microfone nas mãos nosso campeão Guga agradeceu aos presentes, sua família, seu técnico , os brasileiros que sempre o apoiaram e, em lágrimas, afirmou que "não é que eu não queira mais continuar jogando, peço até desculpas, mas é que não consigo mais". Depois dos problemas nos quadris, Guga nunca mais conseguiu ser mais o mesmo e está aposentando-se precocemente, aos 31 anos de idade.

Neste Brasil onde a podridão impera, ver aquele campeão derramar lágrimas saídas do corração, mexeu com todos. Mesmo assistindo ao episódio pelo Bom Dia Brasil da TV Globo, hoje pela manhã ,enquanto tomava meu chá, não pude também conter as lágrimas. Foi um momento de muita emoção, onde um campeão chorava como crianças por "não poder mais defender seu país".

Fato raro, de extrema sensibilidade, que merece não apenas nossas lágrimas (como acontece agora novamente) mas nossos aplausos a esse brasileiro de Santa Catarina.

Guga fará falta nas quadras mas deixou para nós brasileiros, desiludidos pelo que acontece neste país, a esperança de que ainda temos pessoas que reagem como seres humanos, puros, que derramam lágrimas pelo término de uma missão.

Parabens, Guga. Você será sempre o nosso campeão e ajude-nos a formar novos campeões como você.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

O Brazil com "z"

O Brasil visto lá de fora , onde o "s" é substiuido por "z", está bem melhor do que nossa visão interna, pelo menos a minha. Nesta semana dois órgãos de imprensa respeitados - a revista "The Economist" e o jornal "Financial Times" - elogiam nosso país por razões diferentes. Pela "bolsa-familia" ( The Economist) e pela nossa aparente imunidade a crise internacional, o que não acontecia há uma década .

Com o titulo de "Happy families", a revista "The Economist" fala do nosso bolsa-familia, dos países que estão copiando ao redor do mundo , dos resultados positivos que o presidente Lula alcançou. Segue dizendo que "apesar do sucesso inicial da bolsa-família, tres preocupações permanecem. Primeiro é em relação a fraudes, pois em programas similares nunca 100% dos recursos chega às maõs dos beneficiários. E alguém dúvida que isto não esteja acontecendo no Brasil ?

A segunda preocupação é que a bolsa-família fique sendo um programa permanente da sociedade brasileira , ao invés de um programa temporário até que oportunidades
sejam encontradas para os mais pobres. Pois o que enobrece o homem é o trabalho.

E a terceira preocupação - que é de grande parte dos brasileiros - é que a bolsa-família foi equacionada para "vote-buying", isto é, compra de votos.

Apesar dessas preocupações - todos brasileiros prefeririam que pudessemos ensinar os pobres a pescar ao invés de dar-lhes o peixe - a revista afirma no longo artigo que "por um custo modesto (0,8%do PIB)o Brasil está recebendo um bom retorno" . E conclue dizendo que seria positivo "se a mesma coisa pudesse ser dita com relação ao resto das despesas do governo".

Como se vê, o Brasil é admirado e elogiado mas o "se" sempre está presente.

O "Financial Times" ,de ontem, também elogia a maneira como o Brasil vem enfrentando a turbulência atual, pois há 10 anos a situação seria bem diferente.

É verdade, o Brasil era muito mais vulnerável externamente do que é hoje, pois possuia uma política cambial errônea ( câmbio administrado), reservas internacionais insuficientes que poderiam desaparecer em alguns meses (como aconteceu em 1988/1989, na gestão Gustava Franco). Hoje temos um colchão de reservas internacionais superior a US$ 190 bilhões, e não há chance de "ataque ao real". A ameaça de recessão, de acordo com a revista, não atingiu o Brasil que só terá solavancos se tivermos uma recessão nos Estados Unidos, e desaceleração na China, que reduzirá o preço dos commodities e das exportações brasileiras.

Depois dessas considerações positivas - e justas - a revista alerta que para nos fortalecermos mais consistentemente e enfrentar uma possível crise internacional, deveriamos controlar os gastos do governo (gastar mais inteligentemente) , aumento da produtividade, estímulos ao setor privado e reformas fiscal e trabalhista.

E aí que mora o perígo. Todos já sabemos que redução/contrôle de despesas não está no DNA do governo. Que o governo Lula não fará reforma alguma até o fim do mandato, mesmo porque o Congresso tem muito o que fazer com os"mensalões", "mensalinhos" e assim por diante....além das férias sagradas, é claro.

E a "The Economist" finaliza dizendo que podemos nos orgulhar dos progressos alcançados mas o sentimento de "urgência" é necessário para manter o "momentum".

"Urgência" , pois, é a palavra chave e o grifo é nosso. SE o nosso governo ( e o Congresso) tivessem a ousadia e coragem de efetuarem a reforma tributária e a reforma trabalhista, pelo menos, o país seria outro. Aí seriamos, sim, com certeza, uma das dez maiores economias do mundo por mérito do trabalho dos brasileiros e não, como é hoje, devido a apreciação do real. Desculpe, mas para quem não sabe, o PIB é calculado em reais e depois convertido em dólares. Portanto, quanto mais forte o real e mais fraco o dólar, teremos um PIB maior. Mas um simples ajuste de,pelo menos, 20% na taxa de câmbio, reduziia nosso PIB na mesma dimensão.

Enfim, o mundo está nos observando, gosta do que vê no momento, mas olha para frente e encontra alguns "ifs". Temos, pois, que trabalhar para elimina-los o mais rápido possível, o que honestamente poucos acreditam quando olhamos hoje para Brasília e vemos como as coisas se desenrolam.
Quero, porém, estar errado e calar minha boca se a profecia de São Francisco de Assis também se aplique no Brasil : " Faça o necessário, depois o possível e, de repente, você estará fazendo o impossível".

domingo, 10 de fevereiro de 2008

O "nosso" blog

Prezado visitante

Se você leu e gostou dos comentários abaixo, vamos fazer deste espaço o "nosso blog". Comente, dê sugestões, indique aos seus parentes e amigos. Queremos dar mais dinamismo a este espaço precioso, e o apoio de vocês que nos leem é fundamental. Eu estou só do lado de cada mas, nós, todos juntos, poderemos fazer muito mais.
Bom final de domingo e não deixem, "please", de ler os dois comentários abaixo.

Abraços

Alcides Aamral

Os lucros das multinacionais

Só uma pequena nota, pois voltaremos no decorrer da semana a elaborar um pouco mais sobre o nosso problema cambial , o que temos de bom e o que nos espera aí pela frente.

Todos devem ter ficado surpreendidos com o altíssimo volume de remessas de lucros e dividendos para o exterior no ano de 2007. Enquanto até 2003 o volume girava ao redor de US$ 5,0 bilhões anuais, em 2005 subiu para 12,6 bilhões evoluindo de maneira significativa em 2007 para US$ 21,2 bilhões.

O que isto significa ? As multinacionais estão ganhando mais no Brasil ? Correto, o Brasil cresceu de 5,0% em 2007 e trouxe oportunidades para todos aqueles que estão aqui instalados. Mas as multinacionais faturaram tanto mais ao ponto de quase dobrarem o envio de remessas de lucros e dividendos ?

Certamente que não. Os lucros foram melhores, não há dúvidas, mas o "X" da questão é a paridade cambial. Como o real vem se valorizando frente ao dólar nos últimos anos, hoje com o mesmo lucro em real em relação a 2005 e 2006, por ex., as multinacionais remetem MAIS dólares para o exterior. Portanto, mesmo que performance de uma multinacional fosse ruim - lucro estável em reais de um ano para o outro - assim mesmo ela mostraria mais lucros em dólares, face a valorização do real, que é o que interessa para sua casa matriz.

Vamos, portanto, ficar alertas a esse fato que é um dos problemas que o "real supervalorizado" está criando para o Brasil. Espero que o governo - senhor ministro Mantega - já tenha percebido este essa anomalia pois temos que, enquanto é tempo, efetuarmos ajustes na nossa política cambial. Pois como dizia o inesquecível Mario Henrique Simonsen,
"a inflação aleija, o câmbio mata".

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Cartões Corporativos, o "novo mensalinho"

Não pretendia retornar ao blog esta semana, enquanto a poeira da folia ainda paira pelos ares. Mas, acompanhando os desdobramentos dos "cartões de crédito corporatívos do governo", não resisti depois de ouvir o que a Dra. Wilma, nossa mais poderosa e eloquente ministra, disse na TV na 4ª feira em seu tom habitual(professoral). De acordo com o Estadão de ontem, a ministra da Casa Civil, dra. Wilma Rousseff, uma mulher inteligente e bem preparada, afirmou que vai retirar os cartões dos ministros, sob o argumento de que "o princípio da transparência impede que alguém compre para si mesmo". Nesse caso, o uso do cartão ficaria por conta dos assessores.

Inicialmente me pareceu uma piada de mau gosto, daquelas que estamos acostumados a ouvir em Brasília, mundo diferente do qual vivemos. O presidente Lula gosta dos seus improvisos e o povão adora. Mas, examinando o assunto com mais cuidado cheguei a conclusão que a intenção da ministra Wilma é verdadeira, não há nada de piada de mau gosto.

Ora, pergunto eu assim como milhões de brasileiros; Se não podemos confiar nos ministros no uso adequado do cartão de crédito, qual seria a atitude a tomar ? Cortar o cartão de crédito como se pretende ou cortar o ministro ?

Não resta dúvida que se este fosse um país sério - como já duvidava Napoleão Bonaparte - teriamos novos ministros e, especialmente, menor número de ministros para reduzir gastos e facilitar o controle. E essa "intenção" de cortar o cartão corporativo dos ministros ganha repercussão maior quando vemos a teve Bandeirantes reproduzir ( ontem à noite) parte do debate presidencial entre Lula e Alckimin oportunidade em que o então candidato Lula declarou que a única coisa boa que o governo Fernando H. Cardoso criou foi o cartão corporativo. E ele, o nosso Lula, estava falando sério e não era nenhuma outra piada de mau gosto.

O problema , entretanto, é muito mais profundo do que a proposição da dra. Wilma. O abuso - ou uso inadequado dos cartões - começa mais acima do nível dos ministros , e vem descendo degraus abaixo até atingir seguranças dos filhos do Presidente e funcionários públicos dos Estados, como é o caso do nosso Estado de São Paulo. Aparentemente temos aí um "novo mensalinho."..quanto mais a imprensa pesquisar vai encontrar a mesma farra em outras partes do Brasil e, não dúvido, no próprio Congresso Nacional.

Só para citar alguns números publicados pela imprensa, o Gabinete do presidente Lula gastou R$ 3,6 milhões em 2007, incluindo as necessidades do presidente e da primeira dama, Marisa Letícia.Os seguranças dos filhos do presidente também possuem seus cartões, bem como milhares de funcionários pertencentes a todos os ministérios. O problema alcançou repercussão tão grande na imprensa e no Congresso - que ainda está sob o rescaldo do mensalão, dólar na cueca, etc. - pois o valor de R$ 75,0 milhões gasto em 2007 é mais do que o dobro gasto em 2006 ( R$ 33 milhões). O ministério do Planejamento foi o campeão de bilheteria com gastos de R$ 34,0 milhões em 2007, seguido da Presidência República com R$ 16 milhões. Ironicamente, o Ministério do Turismo ( que é um ministério que, a príncípio, deveria consumir boa verba ) dispendeu apenas R$ 2.780,00, isso mesmo, dois mil setecentos e oitenta reais.

O que assusta ainda mais é que do total dispendido em cartões corporativos pelo governo , nada menos do que R$ 45,0 milhões ( mais da metade) foram saques efetuados em dinheiro. Se o próprio presidente Lula elogiou a criação do cartão de crédito corporativo pelo presidente Fernando H. Cardoso, como justificar essa montanha de dinheiro espalhada pelos bolsos dos funcionários (e ministros) . O princípio do cartão é para facilitar os pagamentos, desobrigando as pessoas a carregarem valores expressivos nos bolsos na rua ou nas suas viagens. O cartão engloba também segurança, mas o pessoal do Brasília ( e de São Paulo também ) prefere o dinheiro no bolso.

Diante desse quadro assustador - parece que estamos no início de outro escândalo gigantesco neste país - os congressistas só falam em CPI. O presidente Lula anuncia que liberará cargos para barrar a CPI, mas deputados tucanos querem CPI mista com início em 2001, envolvendo assim governos FHC e Lula.

A verdade é que uma CPI a mais ou uma CPI a menos não vai fazer diferença nenhuma, pois tudo quase termina em "pizza". Muito tempo e muito dinheiro gasto para, no fim, ficar tudo como está. Os número que a imprensa apresenta hoje como utlização de cartões corporativos do Estado de São Paulo ( R$ 108,0 milhões )são superiores ao governo federal o que certamente terminará em CPI também por aqui.E assim vai nos outros estados onde a imprensa tiver acesso pois essa utilização inadequada dos cartões de crédito corporativos mais parece uma nova forma de se "governar" no Brasil, à custa do povo. Pois no fim quem paga todos esses excessos somos, nós, contribuintes.

Daria para escrever um livro sob o assunto - o "novo mensalinho" certamente fará parte do meu segundo livro - mas vou ficando por aqui. Faz de conta que ainda é carnaval, tudo isso não passa de "fantasia" e o Brasil continua vivendo em berço explêndido. Mas, cuidado senhores governantes...um dia a paciência acaba !

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

As novas crias do mundo financeiro

O reinício das atividades do meu blog não poderia ser mais constrangedor, mas tenho que fazê-lo. Tenho poucos amigos e creio não ter inimigos, mas quando vejo um colega - no caso William Rhodes, famoso mundialmente por ser o renegociador da dívida externa de países com dificuldades - ser ironicamente mencionado pelo sr. Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central do Brasil, em artigo escrito para a revista Época, não posso calar-me.

Tentando esclarecer os fatos, enviei correspondência para a revista solicitando que publicasse meus comentários, o que já não aconteceu na edição que saiu hoje, sábado de carnaval, com data de 4/2/08. Certamente o tempo foi curto, o texto longo, mas espero que na próxima edição a revista Época faça justiça ao citibankense que no ano passado comemorou 50 anos de trabalho na organização.

Para que os visitantes saibam do que estou falando, segue o texto que enviei por e-mail no dia 31/1/08 à redação da revista Época, a saber :

“Prezados Senhores

Na revista Época do dia 28 de janeiro, o ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco, escreveu artigo sobre “As novas crias do mundo financeiro”. Tudo perfeito, até que no final afirma que se tivéssemos nosso “Fundo Soberano de Riqueza” seria favorável a compra de ações do Citibank “com a recomendação de que nosso simpático velho conhecido Bill Rhodes fosse designado para cobrar hipotecas inadimplentes”. Como ex-citibankense que sou e acompanhei tudo o que aconteceu no front externo do Brasil de 70 para cá, considero essa ironia descabida e provocativa. Em primeiro lugar, se não tivéssemos o velho Bill o acordo da divida externa sob os auspícios do Plano Brady nunca sairia e a divida externa brasileira ainda estaria por aí. Ele pode ser muito exigente e persistente, mas lutou muito, com o apoio do John Reed, para que o Brasil efetuasse o acordo sem a participação do Fundo Monetário Internacional, que era exigência dos bancos europeus, asiáticos e assim por diante. O México e a Argentina para efetuarem o mesmo acordo precisaram da participação do FMI. A crise atual do Citi deve ser criticada, pois foi muita incompetência da cúpula da organização. Mas o Bill Rhodes tem responsabilidades em outras áreas, junto a governos, bancos centrais e organismos internacionais como o sr. Gustavo Franco sabe muito bem. Finalizando, se tivéssemos o articulista como presidente do Banco Central, o Brasil não teria chance de ter o FSRs pois, em 1998, ele com sua política cambial errônea (câmbio controlado pelo BC) deixou o Brasil perder US$ 40 bilhões de reservas internacionais e só não “quebrou” pois contou com a ajuda do FMI e governos de países do primeiro mundo. Vai dai, ao invés de fazer ironia ao Bill Rhodes, o sr. Gustavo Franco deveria tirar o chapéu para ele por ser elemento decisivo para que a divida externa brasileira deixasse de ser um problema.

É isso que gostaria que fosse publicado. Entretanto, se os srs. considerarem o texto longo demais e quiserem dar espaço para que eu escreva um artigo a respeito , posso fazê-lo com melhor embasamento.
Grato pela atenção.
Alcides Amaral
Jornalista e ex-presidente do Citibank S/A”


Por enquanto é só. Depois do Carnaval voltaremos à ativa e, se possível, com assuntos mais agradáveis e de maior interesse dos visitantes deste espaço.

Bom Carnaval.

sábado, 22 de dezembro de 2007

O início de uma nova etapa

“Senhor, dai-me serenidade para suportar as coisas que não posso mudar, coragem para mudar as que posso e sabedoria para distinguir umas das outras. Mas, dai-me Senhor, sobretudo, ânimo bastante para não desistir daquilo que eu penso estar certo, mesmo que seja sem esperança”

( Almirante C. Nimitz )




Com a chegada do Natal estarei saindo de férias e só voltarei às minhas atividades diárias no fim de Janeiro de 2008.

Essas longas férias não são devidas a cansaço físico , falta de ânimo de continuar lutando por tudo aquilo que acho correto , mas sim por um certo cansaço mental. O ano de 2007 foi , para mim, um ano difícil embora - felizmente - tenha sido melhor para grande parte da população brasileira, que teve mais comida na sua mesa , um pouco mais de esperança num futuro ainda mais promissor. E não é por outra razão que idolatram o presidente Lula, que mesmo criticado por muitos - inclusive por mim - fez a diferença para a parte mais sofrida da população.

Meu cansaço mental vem da constatação que poderíamos estar melhor do que estamos, que a corrupção cresce e se alastra para todos os cantos e que os políticos esqueceram que são os representantes do povo e nada fazem por ele. Para aqueles - como eu - que acompanham diariamente o que acontece no mundo e no País, fica a sensação de que continuamos a ser o último vagão do trem do desenvolvimento sustentado. Pouco aproveitamos da maré mundial a nosso favor para aprofundarmos nossos fundamentos, criarmos pilares sólidos para enfrentar qualquer tormenta que o futuro possa nos “premiar”. É certo que o “céu de brigadeiro” do cenário internacional chegou ao fim, 2008 será diferente para o Brasil. Pior ou melhor, depende apenas de nós. Da capacidade de gestão da cúpula de Brasília, da volta dos políticos ao trabalho e do vigor dos nossos empresários. Pois gente, trabalhadores e mão de obra qualificada, é o que não falta neste país.

Diante dessa realidade, decidi tirar essas férias prolongadas para repensar nesta nova etapa da minha vida. Continuarei mantendo meu blog ativo e minhas participações na imprensa escrita e falada ? Deixarei tudo de lado por um tempo e partirei para escrever meu segundo livro? Ou, partirei para novos projetos além daqueles que já tenho na minha vida profissional ( conselhos de empresas e ONG’s) ?

Essa dúvida veio crescendo ao longo das últimas semanas , quando percebi, com mais clareza, que a imprensa tem pouco peso - alguns órgãos mais outros quase nenhum - em relação ao que acontece em Brasília. A CPMF - um assunto econômico - foi decidida politicamente (primeira derrota política do presidente Lula). Mas, infelizmente, para mim pouco ou nada vai mudar. O presidente Lula ocupará os espaços na sua maneira usual, os reflexos da não prorrogação da CPMF se farão sentir nas decisões que o governo irá tomar. E quem pagará a conta, sem dúvida, seremos nós, o povo, os contribuintes. E será que é isso, questionando, na maioria das vezes, o que acontece em Brasília que quero continuar fazendo ? Por isso, preciso parar para pensar.Ou me engajo de vez na minha “veia jornalística”, ou o projeto de vida será outro.

Queria, portanto, agradecer todos aqueles que me prestigiaram esse tempo todo, que leram e comentaram meus artigos no Jornal do Brasil e na Gazeta Mercantil. Que mantiveram ativo o meu blog, visitando e opinando.


Grato, mesmo !


quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

A hora e a vez dos empresários (3)

Neste último artigo da série referente a extinção da CPMF, vamos focar na atuação dos empresários e o que precisamos deles no decorrer dos próximos meses. Uma “batalha” foi ganha pela Fiesp/Ciesp mas, infelizmente, a “guerra” não terminou.

Para convencer a população e congressistas a concordarem com a não prorrogação da CPMF até 2011, foi elaborado um documento detalhando as razões pelas quais o governo não necessita dos R$ 40 bilhões envolvidos na discussão. No “sumário executivo” são alinhadas as diversas fontes de receitas adicionais para 2008, num total de R$ 55,7 bilhões, o que faz com que “a CPMF é absolutamente desnecessária para o País, bem como o orçamento, equilíbrio fiscal e investimentos da União”.

Embora nosso propósito não seja discutir o trabalho elaborado mas, sim, o que vem pela frente, não podemos deixar de mencionar que algumas das premissas utilizadas já correm risco de não ser totalmente concretizadas. O menor desembolso de juros no total de R$ 13,9 bilhões pagos pelo governo, seria uma conseqüência da “trajetória declinante dos juros”. No quadro atual, com inflação externa e interna e possibilidades de pressão adicional nos preços, fica difícil acreditar que a taxa de juro chegue aos 9,6% a.a. previsto pelo trabalho, O ganho adicional de R$ 7,5 bilhões na “revisão da taxa Selic” também corre o mesmo risco. E para finalizar, o trabalho prevê uma redução de despesas de pessoal na ordem de R$ 5,5 bilhões. Há espaço para essa redução, seguindo o raciocínio lógico do “paper” da Fiesp/Ciesp. O problema, entretanto, é outro : no DNA do governo Lula não existe traços de “redução de despesas”.

Confirmando essa afirmação, o BNDES acaba de efetuar aumento de salário de 20% para quase metade do seu pessoal, os quais foram contratados a partir de 1988 (cerca de 1000 pessoas foram beneficiadas de acordo com a Folha). Existe um racional para essa decisão (esses funcionários recebem menos do que os mais antigos) , mas seria a hora de fazê-lo ? O governo não precisa ajustar suas despesas de custeio para fazer frente a perda da CPMF ?

Continuo defendendo minha tese de que a CPMF deveria ter sido prorrogada por 10 anos, com redução anual da alíquota em 0,03%, chegando a 0,08% em 2017, quando passaria a ser definitiva para dar à Receita Federal o instrumento que precisa para não deixar escapar os sonegadores. Em conversa que mantive pessoalmente, há alguns anos, com o então secretário Everardo Maciel, ele informou-me quão importante era a CPMF para flagrar os sonegadores. Pessoas cujas declarações de Imposto de Renda mostravam rendimentos e patrimônio baixíssimos, mantinham um giro bancário algumas vezes superiores ao que declaravam. Esse é, pois, um problema que não ficou resolvido com a simples extinção da CPMF. Creio que utilizando-se a proposta acima, o Governo teria condições de cumprir seus compromissos sem maiores problemas (deixaria de receber R$ 3 bilhões a menos anualmente, em moeda atual) e os contribuintes ficariam livres do imposto gradativamente, sem sustos.

É óbvio que não pagar mais nada daqui para frente parece ótimo para o contribuinte. É colocar mais algum dinheirinho no bolso direito .... quanto vai sair do bolso esquerdo ainda não sabemos.

A primeira indagação que fica é se os empresários irão reduzir os preços com a eliminação da CPMF, pois quem paga esse tributo é o consumidor. Alguns se queixavam que, na sua cadeia produtiva, tinham que pagar 5 ou 6 CPMF’s. Isto significa dizer que os preços devem cair mais acentuadamente nesses produtos. Enfim, o dinheiro que ainda é pago através a CPMF vai voltar para o bolso do consumidor ou irá aumentar o lucro das empresas?

Outra premissa defendida por alguns é que com a extinção da CPMF, o povo terá mais dinheiro no bolso e aumentará o consumo. Como a maioria da população brasileira recebe salários baixos, a economia com a CPMF é pequena e, portanto, pouco significará na capacidade de consumir. Aqueles que pagam mais CPMF, pois possuem situação privilegiada, não irão mudar seu padrão de consumo devido a essa receita adicional. Possuem muito mais para gastar, se quiserem, independentemente da CPMF. Portanto, muito pouco mudará no padrão de consumo do brasileiro.

O que me preocupa - e aí espero que a Fiesp/Ciesp atuem com a mesma energia - é que o governo virá com impostos/contribuições adicionais para ajudar a cobrir o “rombo” da CPMF. Se tivermos a tão falada reforma tributária, podem crer que será para aumentar a carga tributária e não para diminuí-la. Mesmo porque os governadores já provaram que são contra a redução de impostos pois também afetará os seus bolsos.

Enfim, encerramos aqui essa série relativa ao assunto “CPMF” para não azedar mais o paladar do povo brasileiro e, especialmente, os contribuintes. Será um ano de muita disputa política, que não sabemos qual será o capítulo final. O presidente Lula parece não estar muito preocupado com o “rombo” (sabe que o dinheiro virá de algum lugar) , pois acaba de anunciar investimentos de US$ 1 bilhão na Bolívia. E assim vamos tocando nossas vidas, na expectativa de que as coisas, um dia, irão melhorar. Que poderemos confiar naqueles que elegemos para nos comandar.

Mas está ficando cada vez mais difícil...